terça-feira, 6 de agosto de 2013

Médica faz desabafo emocionante e se torna símbolo da luta contra o descaso


Doutora Ângela. Imagem: Reprodução/Record
Carioca de 58 anos e 23 de profissão, a doutora Ângela sempre trabalhou em hospitais públicos e há três anos está na emergência do Rocha Faria.
— Numa emergência só chegam pacientes graves. Não é consultório. Não é ambulatório.
Naquela noite, pelo menos três médicos deveriam estar no pronto-socorro. Mas a doutora Ângela estava sozinha.
— Deu entrada um infartado e um suicida. Então, são dois casos bem distintos e você tem que socorrer os dois ao mesmo tempo.
A médica contou que, sem conseguir trabalhar direito, ela precisou dar uma satisfação a quem esperava há horas por um médico.
— Eu me senti no lugar dos pacientes. O sofrimento desse povo marcado pelo descaso. Isso me tocou. Me revoltou.
Segundo Ângela, que ganha R$ 4.100 por mês, os médicos estão fugindo dos hospitais Públicos.
— Não existem médicos, os médicos não querem mais trabalhar. Pelo salário, pelo o que estão pagando, ninguém quer mais trabalhar. É muito desgaste. É estresse.
O sindicato dos médicos do Rio de Janeiro concorda com a médica. De acordo com o presidente, Jorge Darze, o baixo salário tem sido um fator que tem expulsado os médicos dos hospitais públicos.
— Esse médico da administração pública, somado ao ambiente de trabalho degradado que esse médico fica exposto, é uma realidade completamente adversa do que nós chamamos do exercício etico profissional.
A médica informou também que até o momento está trabalhando normalmente e que por enquanto não foi chamada para dar explicações à direção do hospital. Para a doutora, o que ela fez não teve nada de heroísmo, foi apenas sinceridade.
— E não me sinto corajosa, eu acho assim que eu me sinto mais no dever do cumprimento da cidadania. Não precisa ter coragem pra exercer a cidadania. Tem que exercer. Não precisa coragem.
A Secretaria Estadual de Saúde apurou com a direção do hospital Rocha Faria que havia superlotação na unidade na quarta-feira passada, quando foram feitos 497 atendimentos na emergência. O número é quatro vezes maior do que a capacidade, que é de 120 atendimentos por dia.

R7; Rede Record
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