terça-feira, 13 de agosto de 2013

Professor de escola pública fica 4 meses sem receber, protesta e, logo após, é demitido


Professor Juliano Nicklevicz. Imagem: Divulgação
O relato de um professor estadual de São Paulo gerou comoção nas redes sociais. Após ficar 4 meses sem receber, decidiu aderir a uma greve e, em seguida, foi dispensado.

Veja abaixo:


Sinto informar aos colegas, alunos e amigos que hoje 2ª feira, dia 12/08, foi oficializada minha demissão do Estado. Fico a partir de agora proibido de dar aulas por 200 dias (a duzentena). Mais uma vitória dos poderosos contra o povo.


Estou dando aulas da Brasilândia desde março do ano passado, e nunca imaginei que perderia meu ganha pão dessa maneira covarde.

Trabalhava em duas escolas e tinha salas com mais de 50 alunos. Nunca vacilei na qualidade das minhas aulas por isso. Meus alunos são prova. 

Esse ano recebi meu primeiro salário, ainda pela metade, em 16 de abril. A outra parte de fevereiro e março caiu no meio de junho. 

Achei que a situação iria normalizar, mas novamente passei apuro e fiquei sem receber o mês de Abril, Maio, Junho e Julho. Isso mesmo. Quatro meses sem nenhum dinheiro na conta.
Curiosamente, e por “pura coincidência”, fui o único ‘categoria O’ que fez greve na minha escola, de 19/04 a 10/05. Entrei em greve já indignado com tudo. 

Mesmo quando todos vinham me dizer pra tomar cuidado, e até quando meu diretor me ligava dizendo para eu voltar da greve, que poderia ficar sem receber por isso, eu sabia que greve é um direito constitucional, e continuei, com o apoio e orientação de diversos companheiros do sindicato que conhec, e que me ajudam ainda.

Agora, depois de ter ficado meses sem receber, de cansar de pedir regularização e não conseguir nada, o Estado rescinde meu contrato dizendo que eu não cumpri com as minhas obrigações contratuais. 

EU NÃO CUMPRI? Que absurdo é esse? Que tipo de retaliação funesta é essa?
E as obrigações do Estado HEIN Sr Alckmin? Não só com professores, mas com alunos, estrutura, material, etc?!

Conheço dezenas de professores em cada canto dizendo que estão há 3, 4, 6 meses sem receber, ou que não recebem férias há dois anos, ou que estão tentando se aposentar a 4 anos e não conseguem, entre tantos outros absurdos que acabam sendo naturalizados pela rotina e pela descrença em mudança. Todos nós professores conhecemos um caso assim, e pensamos: mais um, e mais outro, tenho que garantir o meu.

No final, são milhares de professores precarizados, demitidos, injustiçados todo dia. E agora eu sou mais um.

Juliano Nicklevicz
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