terça-feira, 24 de setembro de 2013

Filho de PMs planejava matar os pais havia pelo menos cinco meses, diz psiquiatra



Imagem: Reprodução Redes Sociais
O estudante Marcelo Pesseghini, 13, filho de policiais militares, planejava havia pelo menos cinco meses matar os pais. É o que revela um laudo elaborado pelo psiquiatra forense Guido Palomba a pedido da polícia. O documento foi divulgado nesta segunda-feira (23).
Com base principalmente em depoimentos de alunos da escola onde o adolescente estudava, o perito afirma que desde março deste ano Marcelo pretendia matar o pai, Luís Marcelo Pesseghini, sargento da Rota (tropa de elite da Polícia Militar), e a mãe, Andréia Bovo Pesseghini, cabo da PM.

"Durante esse período, Marcelo inúmeras vezes chamou os amigos da escola para fugir de casa e se tornarem matadores de aluguel. Iriam assassinar pessoas corruptas. Porém, ao mesmo tempo, tinham que matar os próprios pais. As poucas vezes em que foi indagado por que pretendia agir assim, não apresentou motivos", relata o perito em seu laudo.

Guido Palomba aponta como motivação para o crime a "psicopatologia" (transtorno mental) que o adolescente possuía. Ainda segundo ele, Marcelo teve falta de oxigenação no cérebro quando criança e desenvolveu uma "encefalopatia", síndrome que pode levar o portador a cometer "violentas selvagerias", como explica o psiquiatra.

"Sofrendo de encefalopatia, desenvolveram sobre esse terreno ideias delirantes sistematizadas e circunscritas, nas quais a imaginação e a realidade se misturaram morbidamente", descreve.

O relatório, que está com o DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) e será anexado ao inquérito, afirma ainda que Marcelo era educado, tímido e calmo, um pouco inibido, que a profissão dos pais o marcou "e fazia parte de seu imaginário".

A principal linha de investigação da polícia é que, na madrugada do dia 5 de agosto, o estudante Marcelo Pesseghini matou a tiros o pai, a mãe, a avó Benedita Bovo, 65, e a tia-avó Bernadete Bovo, 55, na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo.

Após cometer os crimes, segundo a polícia, o adolescente foi até a escola dirigindo o carro da mãe, levando consigo uma mochila que continha papel higiênico, peças de roupas, uma faca, um revólver, além de R$ 350 em dinheiro. Depois de assistir às aulas, Marcelo voltou para casa de carona e cometeu suicídio.
Laudo compara estudante a Dom Quixote

O laudo psiquiátrico compara o adolescente ao personagem Dom Quixote, da obra literária de Miguel de Cervantes. O documento reforça que tiros e homicídios eram assuntos recorrentes na casa de Marcelo, por conta da profissão dos pais, e ressalta que o adolescente era influenciado por jogos violentos.

"Recordando, Dom Quixote perdeu a razão depois de ler muitos livros de cavalaria (Marcelo, depois de muitos videojogos) e partiu para se tornar um cavaleiro errante (Marcelo, justiceiro errante). O automóvel de Marcelo, no lugar do cavalo Rocinante; a faca e o revólver em vez da lança e do escudo; Sancho Pança (o escudeiro) seria os amigos da escola, convidados no dia seguinte; a saída de Dom Quixote de um lugar de La Mancha, tal qual Marcelo de casa. E, em ambos, a empreitada que daria realidade a um ideal justiceiro e andante, com a diferença de que Dom Quixote tinha por amada Dulcineia de El Tobos e Marcelo nunca namorara", escreve o psiquiatra.

"E ainda mais, o fim de ambos é igual em um ponto: ao retornarem ao lugar de origem, sentiram-se fracassados; porém, o cavaleiro andante morreu de tristeza e o justiceiro andante se suicidou", diz o laudo psiquiátrico.

Janaína Garcia
UOL
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