quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Empresa cria filtro em "canudo" capaz de remover bactérias e vírus para populações miseráveis


Imagem: Divulgação
Às vezes, as tecnologias mais simples têm o maior impacto na vida das pessoas. Veja como exemplo o sistema de filtragem móvel da empresa suíça Vestergaard Frandsen, batizado de LifeStraw (“canudo da vida”). É um tubo de plástico azul – mas muito mais grosso que um canudinho comum – contendo filtros que tornam potável a água contaminada com microorganismos que provocam cólera, febre tifóide e diarréia. 

Os filtros, fabricados em resina halógena, matam quase 100% das bactérias e cerca de 99% dos vírus que passam pelo LifeStraw. A University of North Carolina em Chapel Hill testou o canudo com uma amostra de água contendo as bactérias Escherichia coli B e Enterococcus faecalis, além do vírus MS2 colifago, e mais iodo e prata. Os resultados indicam que o LifeStraw filtrou todos os contaminantes a níveis em que não representam mais um risco à saúde de quem ingere a água. 

No entanto, o canudo não filtra metais pesados como ferro ou flúor, nem remove parasitas como a giárdia ou o criptosporídio, apesar de o CEO da empresa, Mikkel Vestergaard Frandsen, afirmar que há uma versão do LifeStraw disponível para grupos de ajuda humanitária em Bangladesh e na Índia capaz de filtrar arsênico. 

Com menos de 25 cm de comprimento, o canudo pode filtrar até 700 litros de água - estimativa do consumo anual de uma pessoa. O LifeStraw deve ser jogado fora quando seus filtros ficam entupidos demais para permitir a passagem de água, o que acontece geralmente após um ano de uso.

O sucesso do sistema pessoal de filtragem levou a Vestergaard Frandsen a lançar no começo deste mês o LifeStraw Family, um purificar microbiológico instantâneo que fornece cerca de 10 litros de água potável em uma hora, ou até 15 mil litros durante sua vida útil para uma família de seis pessoas. O LifeStraw Family foi projetado para filtrar sujeira, parasitas, bactérias e vírus, e estará disponível a partir de maio. 

O próximo passo será promover a tecnologia do LifeStraw para que organizações não-governamentais (ONGs) e grupos de ajuda humanitária passem a comprá-los e distribuí-los. Não se trata de uma tarefa fácil, já que a necessidade de água potável não é tão promovida como a prevenção contra a Aids ou a alfabetização em alguns países em desenvolvimento, explica Frandsen: “Ninguém está estrelando uma campanha de erradicação da diarréia”. 

No entanto, o LifeStraw foi apontado pela empresa de relações públicas Saatchi & Saatchi como a principal “idéia que mudará o mundo”, em uma competição recente de tecnologias com impacto na medicina, educação e ajuda humanitária. O grupo Vestergaard Frandsen recebeu US$50.000 da Saatchi, e mais US$50.000 em serviços da empresa de RP. 

A Saatchi, que pertence ao Publicis Groupe SA, da França, elegeu o LifeStraw entre várias invenções. Entre eles estavam um controlador reutilizável para a distribuição de fluidos intravenosos; uma roda que pode ser dobrada para ser armazenada mais facilmente quando não estiver sendo usada em bicicletas e cadeiras de roda; um mostrador em 3-D que usa uma óptica especial e um programa de computador para projetar uma imagem parecida com um holograma da anatomia de pacientes com câncer, um laptop que gasta pouca energia, dedicado a crianças em países em desenvolvimento; um sistema de impressão para fabricar esqueletos de tecido para cultura de células; uma prótese visual que manda sinais diretamente para o cérebro; livros com trilhas sonoras para ajudar a educar adultos analfabetos sobre questões de saúde; um telefone que fornece cobertura para populações rurais pobres em países em desenvolvimento; e uma interface cérebro-computador criada para ajudar pessoas com paralisia a se comunicarem por sinais neurais.

Scientific American Brasil
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