sábado, 16 de novembro de 2013

Celso Daniel e Toninho, os pesadelos do PT


Imagem: Epitácio Pessoa / Estadão
Véspera da eleição de segundo turno presidencial que será vencida por Dilma Rousseff. Gilberto Carvalho, então chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chega ao Cemitério São Miguel, em Santo André, São Paulo, na manhã de 30 de outubro de 2010. Deposita flores no túmulo do ex-prefeito Celso Daniel, assassinado há mais de oito anos antes, em situação nunca esclarecida. "Era para ser ele (o sucessor de Lula)", se limita a dizer Carvalho na saída do cemitério.

O hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência foi amigo e secretário de Celso Daniel. Os irmãos de Celso Daniel, porém, responsabilizam Carvalho e o partido pela morte do petista. Afirmam que o crime foi político e causado por um sombrio esquema de desvios de recursos de prefeituras para financiamento de campanhas eleitorais. Para a família do prefeito assassinado, Celso Daniel havia descoberto o esquema de desvio de recursos e estava disposto a denunciá-lo. Essa teria sido a razão de sua morte. Carvalho e a cúpula petista sustentam que se tratou de crime comum e negam o esquema de caixa dois.

Cotado para o ministério do primeiro mandato de Lula, Celso Daniel foi morto com 13 tiros na noite de 18 de janeiro de 2002. As investigações oficiais não são conclusivas quanto aos motivos do assassinato. A Polícia Civil destaca que o prefeito foi confundido por criminosos de uma favela que pretendiam sequestrar um comerciante. O Ministério Público avalia que o caso teve motivação política e denunciou o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, ex-segurança que estava no carro com o prefeito, como mandante do crime. Até o momento, polícia e MP não apresentaram argumentos definitivos.

Sombra, o ex-secretário da prefeitura Klinger Luiz Oliveira Souza e o empresário Ronan Maria Pinto são investigados por suposto esquema de cobrança de propina em Santo André. O MP afirma que Sombra decidiu matar o prefeito após Celso Daniel e dirigentes do PT descobrirem o esquema montado pelo grupo. O ex-segurança e Celso Daniel tinham saído de uma churrascaria nos Jardins, em São Paulo, numa Mitsubishi Pajero, quando foram perseguidos e cercados pelos criminosos que estavam em três carros, na zona sul da cidade. O prefeito foi retirado do veículo. O corpo apareceu três dias depois, com marcas de tortura e tiros, numa estrada próxima à Rodovia Régis Bittencourt.

Adversário do PT, Bruno Daniel, irmão de Celso, acusou a direção nacional do partido de montar um outro esquema de desvio de recursos, que abrangeria as prefeituras paulistas administradas pela legenda para garantir recursos às suas ações. Bruno e Celso não se falavam. Não se apresentou um elo entre esse suposto esquema e o assassinato. A Polícia Federal não entrou na investigação. Dirigentes petistas nunca esconderam o temor pela politização do caso e a manipulação de fatos com interesses eleitorais.

Campinas. Outro caso com características de crime de mando que teve versões conflitantes é a morte de Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, prefeito de Campinas, em 2001. A polícia afirma que ele foi morto num assalto. A família e os amigos rejeitam a versão. O assassinato de Toninho tem contornos de crime político pela sequência de mortes. Numa operação frustrada para prender supostos matadores de Toninho, foram mortos numa operação policial em Caraguatatuba, ainda em 2001, quatro suspeitos.

Em razão das divergências acentuadas entre as versões da polícia e do MP, as mortes de Celso Daniel e Toninho do PT não estão na lista de assassinatos políticos deste caderno. A morte do prefeito de Monte Alto, Gilberto Morgado, do PT, em 2006, encontrado sem vida em frente a um flat na Avenida Rebouças, em São Paulo, também não consta da lista. Morgado tinha feito denúncias contra a empresa que recolhia o lixo em Monte Alto. A polícia, no entanto, concluiu que o prefeito se jogou do 23.º andar. 
 
Leonencio Nossa
O Estado de S.Paulo
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