segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Tráfico retoma área em favela com UPP em comunidade de Copacabana


Imagem: Ilustração/Gospel+
Traficantes retomaram, pela primeira vez, uma área dentro de uma favela pacificada desde 2009. Há duas semanas, policiais da UPP do Pavão-Pavãozinho, na Zona Sul, tentaram entrar na quinta e última estação do plano inclinado. Não conseguiram. Foram surpreendidos por oito homens com fuzis. Após 40 minutos de tiroteio, Thomas Rodrigues Martins, de 32 anos, apontado como traficante pela polícia, acabou morto. Ali é a fronteira entre o território dominado pelo Estado e a localidade conhecida como Vietnã. Segundo seis policiais ouvidos pelo EXTRA, com média de cinco anos na corporação e passagens por outras favelas pacificadas, a área — que equivale a 6% do terreno — voltou às mãos do tráfico. “O morro é deles”, reconheceu um policial, exagerando o poderio dos bandidos.

Por outro lado, o EXTRA constatou que 94% da favela contam com patrulhamento da PM. A Ladeira Saint Roman, que já foi conhecida como uma das maiores bocas de fumo da favela, tem viaturas em todos os seus acessos. Se há policiamento na parte baixa da comunidade, a equipe de reportagem foi orientada a retornar por um adolescente quando chegou à terceira estação do plano inclinado, por volta das 15h da última quarta-feira. O coronel Frederico Caldas, comandante das UPPs, diz desconhecer que haja um território dominado por criminosos na área.

Em seis dias, o EXTRA percorreu 14 comunidades pacificadas em todas as regiões da cidade, ouvindo 85 histórias contadas por policiais militares e 50 moradores. Nessas favelas, há outras 37 áreas mapeadas com histórico de confrontos com moradores ou policiais feridos e mortos neste ano. Se no Vietnã não há tiroteios entre policiais e bandidos porque os PMs nem chegam lá, nas demais áreas conflagradas a polícia ainda tenta evitar que criminosos delimitem seu território.

No Parque Proletário e Vila Cruzeiro, na Penha, há pelo menos três semanas bandidos estão, segundo PMs e moradores, tentando tomar de volta parte do território perdido com a pacificação. Há dez dias, houve dois confrontos num intervalo de 48 horas. No primeiro tiroteio, no dia 31 de outubro, policiais disseram ter sido surpreendidos por mais de 15 homens armados com fuzis na localidade da Vacaria, no Parque Proletário. Dois PMs ficaram feridos e um traficante morreu. Com ele, os policiais apreenderam um fuzil AK-47.

Dois dias depois, um policial morreu ao ser baleado num ataque organizado pelo tráfico na mesma área. De acordo com o relato dado por 20 PMs que atuam na região, não foi um caso isolado.

— Eles dão tiro de fuzil direto. A última coisa que isso aqui está é pacificado — disse um policial.
Na Macega, na Rocinha, a situação é semelhante. Segundo policiais, dia e noite, pelo menos dois traficantes com fuzis fazem a segurança da localidade, uma das maiores bocas de fumo da favela.
No Morro do São Carlos, os policiais dizem se sentir vigiados. Próximo a um contêiner da UPP, três jovens observavam os PMs.

— Meu irmão ganha R$ 150 para avisar quando os policiais estão por perto — admitiu uma moradora.

Extra
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