sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Para ONU, legalização da maconha no Uruguai é uma atitude de "piratas"


Imagem: EFE
O presidente da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), Raymond Yans, se mostrou hoje extremamente crítico com a lei que legaliza a maconha no Uruguai, e ressaltou que não respeitar os convênios internacionais dos quais o país faz parte é próprio de "piratas".

Em entrevista exclusiva à Agência Efe, Yans sustentou que a aplicação da lei, aprovada nesta semana pelo Senado uruguaio, viola a Convenção sobre Drogas de 1961, com adesão de 186 Estados, inclusive o Uruguai, e lamentou a falta de diálogo com as autoridades de Montevidéu.

"Este é um tipo de visão própria de piratas, de um país que decide não se retirar da Convenção e também não respeitá-la", declarou Yans, presidente do organismo da ONU que vigia o cumprimento das normas internacionais sobre drogas. "Esperamos que as altas autoridades do Uruguai entendam que isto é um erro, que não é o caminho correto para tratar de assuntos relacionados ao controle de drogas", disse Yans.

Por sua vez, lamentou que o representante uruguaio em reunião com a Jife em novembro nem mesmo tenha participado para explicar a situação. "Os convidaremos de novo para que nos expliquem como consideram que podem estar dentro de uma Convenção quando parece que o país não a está respeitando", ressaltou Yans.

Além disso, as autoridades do Uruguai - assegurou - não permitiram uma viagem para ter um encontro direto com o presidente José Mujica. "Tentamos de forma desesperada nos reunirmos com as autoridades do Uruguai durante dois anos. É o único país do mundo, junto com Papua-Nova Guiné, Guiné Equatorial e Guiné-Bissau, que proibiu a Jife um diálogo (com as autoridades)", destacou.

"Pode-se imaginar em que nível está o Uruguai em suas relações internacionais?", questionou. "Estou mais frustrado ainda pelo fato de que tenho um grande respeito pelo presidente (José Mujica). E lamento que esteja mal aconselhado. Não sei por que existe essa rejeição a se reunir com a Jife", destacou Yans.

Yans lamentou que um encontro com Mujica foi rejeitado de forma "surpreendente" pelos conselheiros presidenciais uruguaios em março deste ano. "Ainda temos a esperança de entrar em um diálogo com as autoridades do Uruguai. Nossas portas estão abertas", declarou.

Ele considerou que a lei que regula a produção, venda e consumo de maconha não reduzirá a criminalidade e, além disso, causará um aumento drástico do consumo entre os mais jovens. "As máfias se centrarão naquilo que está proibido, e o que segue proibido é o mercado para menores de idade", sustentou.

Como alternativas propôs que deveria ser potencializado a prevenção e a educação para enfrentar o problema do consumo de maconha, e rejeitou que haja "drogas brandas", já que todas prejudicam a saúde humana. "A maconha é uma roleta russa", afirmou, já que seu efeito nunca é o mesmo nas pessoas e "não se sabe como pode afetar um cérebro jovem".

Além disso, disse Yans, em todos os países em que esta droga foi legalizada, como na Suécia durante os anos 70, houve um "enorme aumento de consumidores de drogas nos primeiros anos". A Suécia, após alguns anos, deu uma virada a partir da década de 80 e, agora, é um dos países da Europa com medidas mais restritivas.

Acontecerá uma mudança parecida no Uruguai? "Não desejaria que a juventude do Uruguai fosse considerada como cobaia para um experimento. Os políticos uruguaios disseram que isto é um experimento", ressaltou.

Caso a lei seja realmente aplicada, a Jife deverá se pronunciar sobre ela, porém são outros órgãos que debaterão o que fazer com a violação da Convenção. "Iremos à Comissão de Narcóticos e ao Conselho Econômico e Social (Ecosoc) da ONU, e será a decisão dos Estados-membros a que será feita", já que "somos os juízes, não os policiais", afirmou.

A Jife se define como um órgão quase judicial que zela pelo cumprimento dos tratados internacionais sobre drogas. Contudo, é criticado por algumas ONGs por suas visões conservadoras. 

Terra
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