segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Ativista anticorrupção é condenado a 4 anos de prisão na China


Imagem: Reprodução
O advogado chinês Xu Zhiyong, líder de uma campanha por transparência no governo, foi condenado ontem a quatro anos de prisão por "perturbação da ordem pública".


Ele é o ativista chinês mais relevante a receber uma sentença de prisão desde a condenação, em 2009, do escritor Liu Xiaobo, premiado em 2010 com o Nobel da Paz.

Após a leitura da sentença, em Pequim, Xu atacou a decisão do tribunal ao ser levado por guardas, segundo seu advogado, Zhang Qingfang.

"Ele disse à corte que o último fiapo de dignidade do Estado de Direito na China foi destruído", contou Zhang, antes de ser impedido de falar a jornalistas e ser retirado do local pela polícia.

Xu, 40, foi indiciado pelas atividades do movimento Novos Cidadãos, fundado por ele e outros defensores de direitos civis em 2012, pouco antes da chegada ao poder da nova liderança chinesa, encabeçada por Xi Jinping.

O movimento chegou a atrair 5.000 simpatizantes para campanhas contra a corrupção e a discriminação sofrida por migrantes rurais no sistema de educação, mas foi asfixiado pelo governo.

Xu foi detido em julho do ano passado, em meio ao cerco crescente das autoridades à liberdade de expressão. Novas restrições às redes sociais e à mídia foram impostas, e ao menos 50 ativistas de direitos humanos foram presos.

REPERCUSSÃO

Estados Unidos e União Europeia criticaram a punição a Xu. O Departamento de Estado dos EUA disse estar "profundamente desapontado" e exortou a China a "libertar Xu e outros prisioneiros políticos imediatamente".

Ao todo, cinco membros do Novos Cidadãos foram indiciados. Até agora, só a sentença de Xu foi anunciada.

Em comunicado, o grupo Human Rights Watch também atacou a condenação de Xu, afirmando que ela transforma em "deboche" a campanha anticorrupção lançada pelo governo de Xi Jinping.

"A pena severa para um crítico moderado, que refletiu a preocupação do público com a corrupção, mostra como a tolerância para a dissidência é pequena na China", comentou Brad Adams, diretor para a Ásia da HRW.

Após o anúncio da sentença, aliados prometeram manter a luta de Xu, como o advogado Teng Biao, um dos fundadores do Novos Cidadãos. "A prisão jamais sufoca o desejo de resistir, só inflama o fervor das pessoas para lutar", disse Teng no Twitter. 
 
Marcelo Ninio 
Folha de S. Paulo
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