quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Coreia do Norte ameaça com "desastre nuclear" em 2014


Imagem: Reprodução / UOL
O dirigente norte-coreano Kim Jong-un ameaçou nesta quarta-feira (1º) com um "desastre nuclear" na península coreana em caso de guerra e fez uma advertência ao governo dos Estados Unidos.

"Se explodir de novo uma guerra nesta terra, trará consigo um desastre nuclear em massa, e os Estados Unidos nunca estarão seguros", declarou em uma mensagem exibida na televisão nacional por ocasião do Ano-Novo.

"Estamos diante de uma situação perigosa, na qual um pequeno incidente militar acidental pode levar a uma guerra total", advertiu.

De acordo com analistas e autoridades militares sul-coreanas, o regime norte-coreano poderia executar provocações militares no início do ano para reforçar o poder de Kim Jong-un.

A Coreia do Sul reagiu por meio de seu ministro da Defesa, Kim Kwan-Jin, que afirmou que o Exército sul-coreano "deve responder sem piedade a qualquer provocação do inimigo".

O líder do regime comunista também falou sobre a execução de seu tio e mentor Jang Song-Thaek, que foi uma das pessoas mais influentes do regime, mas que eles chamou de "lixo".

"No ano passado, nosso partido adotou com resolução medidas para limpar (...) o lixo que havia em seu seio", disse Kim Jong-un.

O expurgo "contribuiu em boa medida para consolidar a unidade do partido e a revolução", completou.

Esta foi a primeira vez que o dirigente norte-coreano criticou em público o tio, detido e executado em dezembro por traição e corrupção.

Jang Song-Thaek, de 67 anos, foi seu mentor durante o período de sucessão após a morte de seu pai Kim Jong-il em dezembro de 2011.

A surpreendente execução do alto dirigente, o ato político mais importante no país desde a chegada ao poder de Kim Jong-un em dezembro de 2011, marcou, ao que tudo indica, o início de um expurgo entre as pessoas ligadas ao Jang Song-Thaek.

A Coreia do Norte, país comunista dirigido com mãos de ferro pelo dinastia dos Kim há 60 anos, faz, regularmente, ameaças, mas a execução de Jang Song-Thaek e de seu círculo preocupou os Estados Unidos e a Coreia do Sul.

Segundo os analistas, a decisão poderia ser sinal de divergências entre membros da elite no poder, mas para outros, ela ressalta a tomada de controle total do país pelo jovem Kim Jong-un, que tem pouco mais de trinta anos.

A península coreana tem vivido um período de calma relativa nos últimos meses após um anos de muitas tensões provocadas pelo teste de um míssil balístico, que valeu a Pyongyang novas sanções do Conselho de Segurança da ONU.

Mas Kim Jong-un voltou a endurecer o tom e parece querer prosseguir com o seu programa nuclear. Washington e Seul consideram que este programa tem por objetivo dotar o país de armas atômicas.

O monitoramento por satélite sugere que a Coreia do Norte irá redobrar os esforços para reativar seu principal complexo nuclear.

Pyongyang possui atualmente material suficiente para fabricar entre seis e dez bombas nucleares, acreditam os especialistas sobre este país, um dos mais fechados do mundo.
 
AFP
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