quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Confronto e ameaça de invasão do MST interrompem sessão do STF


Imagem: Jorge William/O Globo
Um tumulto entre manifestantes do MST e policiais em frente ao Palácio do Planalto durante a marcha dos militantes sem-terra à Praça dos Três Poderes resultou em feridos dos dois lados. Enquanto dois sem-terra tiveram que ser atendidos, segundo o Corpo de Bombeiros, 22 policiais foram feridos no confronto. 

Os militantes passaram a agredir a polícia com paus, pedras portuguesas arrancadas do chão da praça e martelos. Os policiais responderam com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Antes, a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta quarta-feira chegou a interrompida abruptamente quando manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) ameaçaram invadir o prédio, que fica na Praça dos Três Poderes. No momento da confusão, quem presidia a sessão era o vice-presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski. Segundo a assessoria de imprensa do MST, dois homens estão feridos, atingidos por balas de borracha. Mas o Corpo de bombeiros não confirmou a informação. A marcha do MST conta com 15 mil pessoas.


O comandante do policiamento regional metropolitano da Polícia Militar, coronel Florisvaldo Ferreira César, disse acreditar que grupos infiltrados entre os sem-terra iniciaram a ofensiva contra a polícia. Um militante do MST, conhecido como "Joba", foi preso após agredir um policial no rosto.

- Não acredito que tenha sido gente do MST, foram grupos infiltrados que agem com extrema violência. Trabalho com o MST há 14 anos, esta foi a primeira vez que vi policiais feridos dessa maneira - disse o comandante.

Mas para o MST, houve uma repressão "inaceitável" por parte da polícia. Embora o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, tenha descido para a manifestação para falar com os militantes e receber suas reivindicações, lideranças do grupo afirmam que o governo Dilma Rousseff não tem habilidade para resolver as demandas do setor, especialmente no que tange à reforma agrária.

- Fomos reprimidos pela polícia do Estado. Primeiro em frente ao STF e agora aqui no Planalto. Isso é incabível, inconcebível e inaceitável. É mais uma mostra da incapacidade do governo em atender as demandas do MST - disse José Ricardo Silva, da direção Nacional do MST.

O efetivo da polícia militar foi de 250 homens, mais 400 das forças especiais, que engloba o batalhão de trânsito. Uma outra equipe da segurança da Presidência também reforçou o aparato policial para impedir a entrada de militantes no local de trabalho de Dilma, que no momento do protesto, despachava em sua residência oficial.

— Fui informado agora pela segurança que o tribunal corre o risco de ser invadido. Vamos fazer um intervalo na sessão — disse o presidente interino do STF.

Ao contrário do que informou a assessoria de imprensa do STF, a sessão foi retomada após as 17h. Os manifestantes retornam neste momento ao ginásio Nilson Nelson, onde montaram um acampamento. Agora, a situação é mais tranquila.

Confusão

A confusão perto do STF ocorreu por volta das 16h10. Os manifestantes derrubaram uma cerca de metal e conseguiram furar parte do bloqueio formado por seguranças do Supremo. Houve troca de agressões físicas entre os seguranças e os manifestantes. No momento da correria, o tribunal julgava um processo de paternidade que corre em segredo de justiça. O policiamento teve de ser reforçado na área. Segundo a assessoria de imprensa do MST, dois homens estão feridos, atingidos por balas de borracha. Mas o Corpo de Bombeiros não confirmou a informação.

O trânsito ficou congestionado com várias pistas bloqueadas na tarde de hoje. Após sair do ginásio Nilson Nelson no início da tarde, o grupo seguiu primeiro até a Embaixada dos Estados Unidos onde houve também um inicio de tumulto. A PM reforçou a segurança apesar de uma pequena correria. Em frente à embaixada americana, eles gritaram palavras de ordem contra o uso de agrotóxico e a espionagem americana.

— Estamos em frente a esta bandeira de ódio que é culpada pela atual situação mundial do agronegócio — gritou um dos manifestantes.

O grupo pretendia entregar uma carta à presidente Dilma Rousseff com doze pontos de reivindicação. Entre eles, o assentamento imediado de famílias, melhorias na infraestrutura de escolas, hospitais e transporte. Segundo o movimento, são mais de 100 mil famílias acampadas em todo país.

O MST critica o governo Dilma. Na avaliação de líderes, a reforma agrária no atual governo foi “pífia”.

— O assentamento do governo Dilma foi o pior desde dos anos 60 — disse Roberto Baggio, da coordenação nacional do movimento.


Carolina Brígido
Catarina Alencastro
O Globo
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