sábado, 29 de março de 2014

'Aos 14 anos, fui violentado pela esquerda. Lula é uma mentira', diz engenheiro


Imagem: Reprodução/Gazeta do Brasil
O arquiteto e engenheiro Wilmar Cardoso dos Santos, 69, é um desencantado.  Foi da completa abnegação destinada ao culto da esquerda à abrupta apatia com a experiência do atual governo de Dilma Rousseff - herdeira das experiências de Lula no poder.


Ex-guerrilheiro, arquiteto e engenheiro, participante de diversos agrupamentos de esquerda e ex-amigo dos principais nomes da política goiana e brasileira [caso do ex-presidente Lula e atual Dilma Rousseff, além da lenda Leonel Brizola], ele resolveu sair do armário ideológico e abrir todas as feridas que o incomodam.  Às vezes soa confuso, mas na maioria das vezes consegue articular sua reflexão. E apresenta farto dossiê com documentos que comprovam passagens do que foi dito.  

O engenheiro procurou a Redação do DM desejoso de falar e expor aquilo que o incomoda. Wilmar, primeiro de tudo, deixa claro que aos 14 anos de idade foi cooptado pelos movimentos guerrilheiros nos anos 1960. Em entrevista, ele conta: “Aos 14 anos fui violentado pela esquerda. Depois passei a ajudar o movimento. Até o dia em que fui simplesmente abandonado”.

'Violentado' significa ser doutrinado sem que tenha maturidade suficiente para entender o que fazia e participar de ações criminosas sem necessários esclarecimentos de adultos. Para ele, a mesma esquerda que entende ser impossível um menor assumir suas responsabilidades penais aceitou manipulá-lo quando era adolescente, doutrinando-o para a guerrilha política e ensinando a praticar delitos a favor dos mentores dos movimentos políticos.

Até os 17 anos, diz Wilmar, ele sabia relativamente pouco do que de fato ocorria no País. Apesar de inteligente, não apresentava maturidade para avaliar, por exemplo, as doutrinas marxistas que se tornaram porosas nos segmentos de esquerda brasileira. Enfim, não tinha certeza de nada.

A história do arquiteto começa em suas incursões nos diversos segmentos que existiram no passado, caso da Ação Popular (AP), Libelu (Liberdade e Luta) e Val Palmares.

Na ditadura, Wilmar garante que se encontrava com Dilma Rousseff e chegou a fornecer recursos financeiros para seu grupo. “Dei um saco de dinheiro para ela”, recorda.

E como Wilmar conseguia o dinheiro? Por meio de práticas de mineração ilegal. “Fui muitas vezes nas terras da família de Caiado [deputado federal Ronaldo Caiado, por exemplo], onde tinha muita esmeralda.  Furtava da fazenda dele, quer dizer, furtava da União, pois os minerais não são dele, por lei, mas do governo federal”.

Com os recursos que conseguia em mineração, diz Wilmar, uma boa parte da esquerda se organizava. O dinheiro servia para gerar mantimentos e produzir ações, como sequestros de avião, que ele diz ter participado.

Wilmar narra proezas que necessitam de maior atenção por conta dos pesquisadores voltados aos grupos nacionais de esquerda.  Suas narrativas são vivas e parecem bater com os fatos já registrados em livros.

O arquiteto explica, por exemplo, os arranjos dos grupos de esquerda, sua estrutura, a contabilidade e as ações desenvolvidas pelos agrupamentos.

Apesar da pouca idade, no final da década de 1960 até meados de 1970, ele estava sempre se envolvendo com situações perigosas - como quando se enveredou a levar mantimentos para os integrantes da Guerrilha do Araguaia.

Hoje, décadas depois, desencantado com a esquerda, diz que a “guerrilha foi um pouco de farsa”. Motivo: imprensa e estudiosos focam muito no comportamento e consequências dos guerrilheiros e pouco dos combatentes do Exército e, menos ainda, nos moradores da região - segundo ele, “usados” pela esquerda e violentados pelos militares. “Quem sofreu mesmo foi a população, os moradores”, denuncia.

Wilmar afirma que a esquerda hoje é um “amontoado de oportunistas”, gente que traiu os ideais e interesses sociais. Conforme o arquiteto, ser de esquerda é uma grife: “Tem gente que só sabe falar, mas olha na história deles. Vai lá e vê: não tem nada, nenhuma ideia, nada. A esquerda foi uma frustração para mim porque nunca vi tanta hipocrisia e gente falsa em um só espaço”. 

A seguir, algumas reflexões do antigo 'combatente', bastante conhecido dos antigos militantes e hoje observador dos erros da esquerda.

É evidente que o DM publica a versão dele, de Wilmar Cardoso, o ex-militante, sabendo que o debate é o melhor modelo para que se dissipem dúvidas e de que as versões do movimento são várias e polissêmicas. É nas contradições que o debate deve ser realmente validado. E de antemão o jornal reserva aos citados o direito em rebater o que achar injusto ou indevido, mantendo, assim, o debate. 

DM-Como o senhor começou no movimento de esquerda?

Wilmar Cardoso: Para valer, em 1967: era candidato a presidente do grêmio estudantil do Colégio Estadual Pedro Gomes. Era uma época de muita contestação, de muitas ações no movimento secundarista. Ganhei quatro mil votos nesta disputa.  Tinha ali João Silva Neto, Eli Alves Forte, só sei que dei um banho de votos. Fizemos uma movimentação e tanto. Lembro que estava com 19 para 20 anos.

DM - Mas como a esquerda o tratava?

Wilmar Cardoso: Ela instrumentava com material, com ideias, ideais...Era mais o partidão, o Partido Comunista. Nessa época, fui para a AP (Ação Popular). E o partidão não queria ir à luta. Até que comecei a ficar próximo do pessoal do PCdoB. Cheguei a levar comida para a Guerrilha do Araguaia.

DM - O senhor tem registros desta época? Provas?

Wilmar Cardoso - Eu seguia com outro motorista. Era assim: ninguém ficava fazendo foto não. Agora, quer uma dura verdade? A Guerrilha do Araguaia é uma grande mentira da esquerda.

DM - Mas existem registros, está mais do que provada sua existência.

Wilmar Cardoso - Sim, mas o Exército matava camponês para mostrar que matava guerrilheiro. E o João Amazonas ficava dando entrevistas. 

DM - Mas isso não é culpa da esquerda. Era uma fatalidade para a esquerda, que não era culpada das atitudes do Exército.

Wilmar Cardoso - Com certeza. Mas a esquerda usou a guerrilha do jeito que quis. E a ditadura fez aqui o que se fez no Vietnã. Contratavam gente para matar camponês.  Foi uma estratégia da CIA. Além do mais, a esquerda era inteligente. Não se expôs como faz parecer.  Na época, levei três caminhões para a guerrilha.

DM - E a história de pedras preciosas?

Wilmar Cardoso - Entre 1970 e 1971, consegui três bilhões de cruzeiros em pedras preciosas em Santa Terezinha e nas terras do Caiado - e acho que nem ele sabe disso, que existem trilhões de reais em suas terras, que pagam a dívida interna do Brasil. Pois então: paguei a conta do movimento de esquerda e estudantil brasileiro, conforme bem lembrou recentemente o jornalista Carlos Alberto Santa Cruz. Levava essas pedras para o Rio de Janeiro e lá mesmo distribuía.

 DM - O senhor manteve algum contato com a Dilma?

Wilmar Cardoso - Dei um saquinho de dinheiro para ela. Encontrei a Dilma quando  participava da VAR-Palmares. Dei dinheiro em vez de pedras, pois  ela não tinha condições de vender as pedrinhas. Já era mais adulto nesta fase. Não fazia parte da meninada que foi aliciada sonhando  com o socialismo. Nesse período eu fui para a UnB, em Brasília, estudar marxismo. 

 DM - Afinal, o senhor transitava demais entre grupos: qual motivo?

Wilmar Cardoso - Eu era puxado, uai. Eu tinha inteligência rápida, conseguia  as coisas. Era o rapaz dos milagres. Fazia o trabalho ideológico e de alimentação financeira.  Eu entrei 'numas' de salvar todos. Era um amor revolucionário.

 DM -  Chegou a ser preso?

Wilmar Cardoso - Sim, no 10º BC, em Goiânia. Fui torturado ali com 17 para 18 anos. Hoje tenho um tumor cancerígeno por conta disso, tenho, inclusive, atestados. Fui solto pelas mãos da minha mãe, que foi até o governador Otávio Lage e chorou para que me soltassem. 

DM - O que mais incomoda você deste período?

Wilmar Cardoso - Lembro-me do meu irmão, Vilson Cardoso dos Santos, quase da idade do Marco Antônio Batista [preso e desaparecido em 1970]. Aliás, a última vez que o vi, ele estava com meu irmão, que também foi assassinado. Todos eles manipulados, pois penso que eles não tinham condições de pegar os fundamentos econômicos de Marx.

DM -  Mas a esquerda não tinha condições de dar suporte e proteger os mais jovens?

Wilmar Cardoso - Claro que não.  Agia da mesma forma que o tráfico de drogas, de sexo. Deixava morrer no caminho. 

DM - Quem são os mitos da esquerda goiana?

Wilmar Cardoso - Quase todos são. Esse pessoal é tudo papo. Ação mesmo não houve nenhuma. Iris Rezende [N.R: estudiosos em ciência política não categorizam Iris como político de esquerda, mas de centro ou como populista democrático] nunca trabalhou, depois que se elegeu, e virou um mito multimilionário. Pedro Wilson é um fantasioso: na hora das eleições pega a igreja para se eleger. É uma pessoa parada e pouco inteligente.  O Aldo Arantes foi presidente da UNE, mas só ficou no papo. Para mim, a ação política de esquerda em Goiás não ocorreu de fato.  Temos mais mitos do que verdade.

DM - Como foi sua aproximação com Lula?

Wilmar Cardoso - Ajudei a fundar o PT com o Lula. Vi o fim da ditadura e enxerguei no PT uma oportunidade de mudar o Brasil. Então continuei militando.  E conheci Lula aqui em Goiás: ele vinha de ônibus, numa pobreza danada para fundar o partido. Lembro muito dessa época e dos ensinamentos do professor Fausto Jaime, médico, que participava das discussões marxistas e nos ensinava literalmente. Ele, sim, um teórico muito bom, conhecedor. Um dos poucos que se salvou quando é comparado com esses caras, tanto que está afastado. Em Goiânia, eu dava pinga para o Lula, comida... Ele vinha fazer o PT de Goiás. Ficava no meu escritório, no Setor Universitário. Lula fazia reuniões e dormia de cansado. Assim que ele foi presidente, não deixavam mais chegar perto dele. Assim, nunca mais vi o presidente. 

DM -  E o Lula de hoje?

Wilmar Cardoso - Lula, antes, era um cara semianalfabeto, mas um líder nacional. Agora, ainda mais depois das denúncias de Romeu Tuma Júnior, vejo o Lula como um 'Rockfeller', um 'Bill Gates', apreendeu com o sindicalismo europeu. Acho que ensinaram para ele: procure enriquecer que você será o rei do Brasil.

 DM - A experiência do PT se perdeu?

Wilmar Cardoso - Vejo algo muito podre na experiência do PT. Não se sabe mais quem é de esquerda ou de direita. O que manda é o dinheiro. Essa coisa da Petrobras, estamos todos vendo um absurdo. O filho de Lula, no Pará. Começou a fazer joguinhos eletrônicos e hoje é um dos homens mais ricos do Brasil. Acho que Lula quer destruir o Brasil. Já destruiu as consciências dos militantes e agora quer destruir a natureza, concentrando terra.

DM - Mas o PT é formado por pessoas. Existem sempre bons entre os ruins...

Wilmar Cardoso - O petista é todo comissionado. Pior do que os arenistas, do PDS. Tem medo que a gente chegue perto.

DM - Mas você odeia tudo e todos da esquerda?

Wilmar Cardoso - Tenho afeto pelo Paulinho de Jesus (atual presidente do PSDB de Goiás), que teve o irmão morto no vendaval da ditadura e tem o Fausto Jaime, que é ainda do PT. O fato é que a esquerda brasileira é nojenta.   

DM - Como integrante da esquerda que tanto o senhor critica, recebe pensão da anistia, certo?

Wilmar Cardoso - Recebo R$ 1.700. Fui engenheiro, arquiteto, professor e disso não ganhei. Ganho o salário de desenhista, que fui naquela época na Suplan.  O relator do meu processo disse que eu tinha direito a R$ 17 milhões,  mas pediu propina para liberar. Eu disse que não. Então, ele afirmou que eu não comprovei nada que fiz na ditadura, a não ser que trabalhava como desenhista e fui mandado embora pelo governador Leonino Caiado.  É um salário mixuruca. Passei minha vida inteira, a minha inocência, e fui levado pela doutrinação...Não trai esse movimento. Eu conheci um fotógrafo do Diário da Manhã, que não me lembro o nome. Virou professor. Ele chegou e disse: “Vou te botar na CIA e no Pentágono. Vai ganhar dez mil dólares.... Você vai ajudar o governo americano”.  Eu disse: nem!!! Era para informar tudo. Não topei de jeito nenhum.

Wellington Farias
Diário da Manhã
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