quarta-feira, 5 de março de 2014

Apesar dos investimentos para a Copa, internet 2G ainda é dominante no País


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Embora 80 cidades contem com a moderna cobertura de telefonia celular 4G e os principais municípios do País já tenham cobertura 3G, a maior parte dos brasileiros ainda utiliza 2G. Isso deve mudar a partir de junho, quando os celulares 3G devem superar os 2G no País, prevê o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende. A predominância de uma tecnologia inferior pode ser explicada pelo alcance da cobertura.


Enquanto o 2G alcança todos os municípios brasileiros, o 3G chega a 3.473 municípios, onde vive 90% da população nacional. De acordo com a Anatel, o País encerrou o ano de 2013 com 159,7 milhões de telefones celulares 2G, enquanto os 3G ficaram em 94,8 milhões.

Mas, no início de 2013, a vantagem numérica do 2G sobre o 3G era bem maior: 194,7 milhões contra 53,9 milhões. Ao longo do ano, a tecnologia 3G cresceu 75,9% em número de usuários, enquanto a 2G perdeu 17,9% de seus clientes.

"Em junho deste ano, o 3G deve ultrapassar o 2G em quantidade de telefones", afirmou, em entrevista ao Estado. No ano passado, 3 milhões de usuários por mês trocaram o aparelho 2G pelo 3G. "A migração foi acelerada."

Motivos. Rezende destaca duas variáveis como responsáveis por essa mudança. A primeira é o aumento da competição entre as teles, que diminuiu o preço dos aparelhos e pacotes 3G. A segunda é o crescimento da renda dos brasileiros, que, com mais dinheiro, investem em celulares com acesso à internet.

"Esse aumento no número de usuários 3G exige cada vez mais investimentos em infraestrutura e banda por parte das empresas para que não tenhamos problemas com qualidade nos serviços", afirmou.

Desde junho de 2012, quando as vendas de novas linhas foram suspensas pela Anatel, as teles são fiscalizadas trimestralmente pelo órgão regulador.

Outro fator que deve acelerar essa tendência é o leilão da faixa de 700 MHz, que vai oferecer 4G. Na licitação, que deve ocorrer no primeiro semestre deste ano, o governo pretende obrigar as companhias a antecipar as metas do 3G. Para alguns dos cerca de 2 mil municípios ainda sem cobertura, o prazo vai até o fim de 2019. A ideia é encurtar este período, para 2016 ou 2017.

Incipiente. Já a tecnologia 4G deve demorar mais tempo para se popularizar. A cobertura, que começou em maio nas seis cidades-sede da Copa das Confederações, encerrou o ano de 2013 com 1,3 milhão de celulares em todo o País. Cerca de 200 mil por mês migram do 3G para o 4G, mas, em dezembro, foram 400 mil a mais.

O número é mais modesto do que previa o governo. Rezende acreditava que o ano se encerraria com 4 milhões de usuários no 4G. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, achava que esse número seria ainda maior. Parte disso pode ser explicada pelo valor do aparelho, que ainda custa mais de R$ 1 mil. "Ainda estamos com uma adesão tímida, mas isso é um processo que ganha escala à medida que a cobertura aumenta e que o preço dos aparelhos cai", afirmou Rezende.

A partir de 31 de maio deste ano, as companhias terão de oferecer 4G em todas as capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes. "Com certeza, com cobertura maior, o número de usuários também deve crescer mais."

Segundo o diretor executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil), Eduardo Levy, faltam apenas nove municípios para chegar a essa meta: Aracaju, Duque de Caxias, Feira de Santana, Londrina, São Gonçalo, São Luís, Teresina, Porto Velho e Rio Branco. 

Anne Warth
O Estado de S. Paulo
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