quarta-feira, 5 de março de 2014

Bandidos usam bloqueador de sinal de celular para roubar caminhões


Imagem: Divulgação
Um aparelho de uso restrito no Brasil, mas vendido livremente via internet, trouxe de volta para os caminhoneiros o pesadelo dos sequestros nas estradas. 

Conhecido como jammer, o bloqueador de celulares de alta potência é usado por quadrilhas especializadas em roubos de carga para impedir a comunicação entre o veículo e a empresa. 


Sistemas de comunicação como o GPS começaram a ser usados no país na década de 1990 para rastrear veículos e evitar ataques. 

No início desta década, foram registrados os primeiros "desaparecimentos" com o uso de bloqueadores.

Agora, o jammer vem sendo associado a uma nova escalada desse tipo de crime.

Dados parciais da NTC & Logística, entidade que reúne grandes transportadores, indicam que os registros de roubos de carga devem ultrapassar os 15 mil em 2013.

O prejuízo estimado para as empresas é de R$ 1 bilhão. "Já registramos casos de roubos com jammers na Marginal Pinheiros. O veículo apareceu três horas depois próximo ao [shopping] Center Norte", disse José Hélio Fernandes, presidente da NTC.



Imagem: Editoria de arte/Folhapress

COMÉRCIO IRREGULAR

A venda do dispositivo antirrastreamento é controlada pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Apenas os 10 tipos homologados pela agência podem ser legalmente comercializados. Ainda assim, com o uso restrito ao sistema carcerário. 

Apesar dessa restrição, o produto é fácil de ser encontrado, principalmente na internet. Sites brasileiros vendem o jammer com frete grátis, parcelamento em até 24 vezes e preços que variam de R$ 110 a R$ 2.000. 

Entre os modelos, há inclusive um com formato de cigarros, recomendado para "detetives". O aparelho, que pode ser camuflado dentro de um maço comum, tem raio de bloqueio de até 10 metros e custa R$ 225 à vista. 

Desde 2009, a Polícia Federal já realizou 19 operações contra quadrilhas de roubos de carga. Segundo o delegado responsável pelo setor, Luís Flávio Zampronha, 430 pessoas foram presas. Entre eles, especialistas do setor de telecomunicações.

Dimmi Amora e Felipe Souza
Folha de S. Paulo
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