quinta-feira, 13 de março de 2014

Estádio mais caro da Copa queria selo verde, mas não terá nem obras de entorno


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Apesar da comunicação oficial do governo do Distrito Federal afirmar que o estádio Mané Garrincha - o mais caro da Copa, construído a um custo até agora de R$ 1,4 bilhão -, "está 100% concluído", uma decisão da Justiça enterrou de vez qualquer esperança de que as obras no entorno da arena, estimadas em mais cerca de R$ 300 milhões, ficassem ao menos parcialmente prontas a tempo do Mundial.

Além disso, parte do projeto para reaproveitamento de água da chuva e a instalação de painéis para captação de energia solar, que credenciaria o estádio a buscar uma espécie de "selo verde" internacional de reconhecimento pela sustentabilidade, ainda não foram sequer iniciados e tampouco estarão prontos até a Copa, ao contrário do que afirmou o governo do DF ao UOL Esporte em janeiro.

No final de fevereiro, o TJ-DFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios) suspendeu o edital de licitação para as obras de reforma do entorno do estádio. O pedido foi feito pelo MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios). Antes da decisão, tomada em caráter liminar e que ainda terá seu mérito julgado, a Secopa-DF (Secretaria Extraordinária para a Copa no Disitrito Federal) já admitia que o planejamento original de intervenções não seria cumprido a tempo. Afirmou que as obras seriam iniciadas e paralisadas durante a Copa, para serem retomadas após o Mundial. Há um ano, quando o UOL Esporte denunciou o abandono do Complexo Esportivo Ayrton Senna, onde fica o Mané Garrincha, o governo do DF já havia admitido que a recuperação completa da área só seria promovida após a Copa do Mundo, sem data definida.

O certame suspenso pela Justiça já tinha vencedor, o Consórcio Legado, formado pelas empresas Andrade Gutierrez e Via Engenharia -- as mesmas que construíram o estádio. De acordo com a Secopa-DF, a concorrência teve sete participantes e, na fase de análise das propostas, três empresas foram classificadas. A melhor oferta, de R$ 285.030.353,43, foi do Consórcio Legado.

O valor corresponde a um pacote de obras: paisagismo, reurbanização e requalificação de vias no entorno do estádio, nos setores hoteleiros (anexos à área onde fica o estádio) e dois túneis nas imediações, um deles ligando o estacionamento do Mané Garrincha ao Centro de Convenções Ulysses Guimarães, ao lado de onde funcionará o Centro de Mídia da Fifa.


De acordo com o MPDFT, "promoveu-se um ajuntamento de obras distintas sob justificativas fugazes, sem avaliação da economicidade dessa escolha, elemento expressamente exigido na lei para o processamento de uma escolha desse jaez". O pedido de suspensão foi acatado pelo juiz Lisandro Garcia Gomes Filho, da 1ª Vara de Fazenda Pública. Agora, a Justiça vai decidir se cancela a licitação ou não.

Segundo a Secopa-DF, por meio de sua assessoria de imprensa, não se pode vincular este pacote aos preparativos para o Mundial, apesar dela mesma ter feito isso antes de desistir de entregá-lo a tempo. "A Novacap [ empresa estatal do DF que contratou a obra] prestou todos os esclarecimentos à Justiça na sexta-feira (07/03), solicitando a suspensão da liminar concedida pela 1ª Vara de Fazenda Pública do DF, que paralisou o processo", diz a resposta enviada ao UOL Esporte. De acordo com o governo as obras começam em 2014, mas não há data definida.

Quando esta parte estiver concluída, o custo total do Mané Garrincha chegará a R$ 1,7 bilhão, no entendimento do TC-DFT (Tribunal de Contas do Distrito Federal e Territórios). Isso se não houver nenhum aditivo a mais. De acordo com reportagem da revista Veja Brasília nesta semana, ao longo da construção do estádio houve 47 aditivos não registrados no Diário Oficial, em um valor total de R$ 123 milhões. Assim, a conta chega a quase R$ 2 bilhões. Com o atual R$ 1,4 bilhão de custo, a arena já a mais cara dentre as 12 construídas para receber a Copa do Mundo.
'100% concluído'

Para o governo do DF, os itens de sustentabilidade nunca fizeram parte do "projeto Copa". "Eles são itens adicionais que credenciam o estádio para concorrer a uma importante certificação ambiental", diz a nota do DF. Assim, o governo reitera que o estádio está pronto, apesar de não estar, já que falta a instalação destes equipamentos. "O Mané Garrincha está 100% concluído para a realização da Copa. Do lado externo, os acessos mais próximos à arena receberão reforço de iluminação e melhorias asfálticas", diz o governo.

A um custo estimado de mais R$ 15 milhões, o sistema de captação e transmissão de energia solar do Mané Garrincha, de acordo com o governo do DF, "deve começar a gerar energia solar em 2014". Data de início das obras ou inauguração do sistema? Não tem.

Sobre a criação de um lago de contenção para a água da chuva e integração deste com as cisternas do estádio, o DF afirma que faz parte do pacote do entorno, suspenso pelo TJ-DFT. "O sistema de captação e armazenamento da água da chuva do Mané Garrincha, a primeira fase foi concluída com a inauguração do estádio, em maio de 2013, e está em pleno funcionamento desde o início do período de chuvas, no fim do ano passado. A água armazenada em quatro cisternas no interior da arena está sendo utilizada na limpeza de áreas internas, em sanitários e mictórios, e na irrigação do gramado", garante o governo.

A cobertura, construída a um custo de R$ 209 milhões e que apresentou goteiras generalizadas no final de dezembro do ano passado, conforme revelou o UOL Esporte, teria a capacidade de absorver poluentes da atmosfera.

"Hoje, nenhum estádio de futebol no mundo possui o selo Platinum", afirma o DF sobre a certificação ambiental que irá buscar quando terminar de vez o trabalho. Se depender do Mané Garrincha, ainda não há data para isso acontecer.

Aiuri Rebello
UOL
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