sábado, 29 de novembro de 2014

Alunos e ex-alunos de colégios militares denunciam reportagem tendenciosa da Globo


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“Ridículo”, “desnecessário”, “irresponsável”, “incoerente”, “desrespeitoso”, “tendencioso”. Estes foram alguns adjetivos usados para classificar o último programa Profissão Repórter, da Rede Globo, exibido na última terça-feira (25/11). Um dia após a veiculação da atração comandada pelo jornalista Caco Barcellos, que veio a Goiás mostrar o funcionamento dos Colégios da Polícia Militar no Estado, centenas de críticas à maneira como a reportagem foi conduzida tomaram as redes sociais.



Pais, alunos, ex-alunos, professores e membros da instituição de ensino saíram em defesa do rigoroso padrão de qualidade preconizado nas 16 unidades goianas, que foi criticado no programa da Globo. Primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de Goiás e destaque no Enem, os colégios militares tiveram sua credibilidade e eficácia questionadas pela equipe de Caco. Normas como o uso da farda, a rigidez na aparência pessoal, a hierarquização e a própria presença dos militares no ambiente escolar ganharam conotação negativa, gerando indignação nos que têm ou tiveram algum contato com a realidade do CPMG.

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Aluna do 9ª ano, Isadora Souza Vieira usou sua conta no Facebook para chamar de “ridícula” e “manipulada” a reportagem. Em entrevista ao Jornal Opção Online, a jovem, de 14 anos, afirmou que a situação é bem diferente da retratada. “Quando entrei na escola, também tinha alguns preconceitos e cheguei a ficar com receio. Mas, hoje, sei que não é nada daquilo que algumas pessoas acusam – sem saber, na maioria das vezes”, explica ela. “Nunca fui reprimida. Todos temos direito à opinião e discutimos qualquer assunto sem censura alguma. Eu amo minha escola”, garante.

A última afirmação de Isadora advém de acusações do Profissão Repórter que mostrou dois supostos professores da instituição afirmando que não se podia falar em “ditadura militar” na sala de aula. “Também nunca vi a Helena Aparecida De Sá Silveira Sales ou o Alexandre Linhares [ambos professores de História do CPMG de Goiânia] serem censurados e obrigados a chamar a Ditadura/Golpe de 1964 de ‘Revolução’, muito pelo contrário, eles sempre nos mostraram as atrocidades desse período”, escreveu o aluno George Lucas Ramos Costa Ferreira em um desabafo também no Facebook.

E parece que a opinião crítica a maneira como o programa da Globo retratou os colégios militares goianos desagradou, também, ex-alunos da instituição. “Análise completamente distorcida. Muito mal elaborada. O colégio exige disciplina e ensina direitos de cidadania… Não sei se apuraram corretamente; faltou uma visão mais fiel à realidade”, criticou o advogado Murilo Chaves. “A Rede Globo quis nessa reportagem deturpar a imagem do colégio e criticar a forma de ensino, mas os resultados falam por si só”, repudiou Celine Ramos, em referência às boas notas dos alunos em exames nacionais.

Uma questão maior

Coordenadora da unidade Hugo de Carvalho Ramos e professora do CPMG há quase 15 anos, Rita de Cássia expressou grande preocupação com o programa e chegou a sugerir uma possível interferência na pauta. “Foi um ato político, só inverdades, não tem absolutamente nenhum nexo com a realidade; Chega a suscitar questionamentos sobre o porquê de uma matéria tão enviesada como aquela”, lamenta.

Um dos pontos questionados pela equipe de Caco Barcellos foi justamente a rígida disciplina exigida nas escolas. Foi sugerido que os alunos não podiam conversar durante o recreio e que o hino nacional seria tocado no intervalo. “A disciplina é fundamental no processo de aprendizado. Como um professor pode dar aula com alunos fazendo algazarra, saindo da sala a todo tempo, gritando e, o pior, que infelizmente acontece em todo o País, nos ameaçando e agredindo”, argumentou. “É uma escola modelo, formadora de excelentes profissionais e, acima de tudo, cidadãos”, resumiu.

Defensora da relação escola/militares, Rita exalta o respeito por parte dos policiais e não vê problemas em se exigir postura adequada dos alunos. “Somos um time. Os militares nos auxiliam e nós os auxiliamos, uma dupla que dá muito certo. Meus três filhos estudaram aqui e se eu tivesse mais três, também estudariam”, complementa. Nesse sentindo, Eliene de Souza Guimarães, mãe de Isadora – que é aluna padrão da escola, com média disciplinar 10 e pedagógica 9,9 – é categórica: “a melhor coisa que aconteceu na vida dos meus filhos”.

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Além da menina, ela tem o mais velho, José Henrique, na unidade Polivalente Modelo Vasco dos Reis, em Goiânia. “Muita coisa na reportagem estava distorcida. Nunca ouvi reclamação dos meus filhos e a minha relação com a escola é extremamente profissional. Foi um avanço principalmente para meu filho, que tem apresentado grande evolução”, relatou. A comerciante elogia, ainda, a gama de atividades extracurriculares oferecidas. “Minha filha passa praticamente o dia todo na escola – e adora. Ela faz natação, música… Por mim, toda a escola pública de Goiás deveria ser comandada pela Polícia Militar”, arremata.

Desrespeito

Major da Polícia Militar e professor, Carlos Eduardo Belelli, entrou em contato com a redação do Jornal Opção Online para expressar a indignação com a matéria. “Me senti indignado, revoltado, caluniado e difamado. Não só por ser policial militar há 27 anos, mas por ser pai de um aluno. Minha filha estudou no colégio e vai se formar graças ao bom ensino do CPMG”, enfatizou. Ele também sustenta a ideia de que há motivos não esclarecidos por trás do programa: “cunho político ou até mesmo algum movimento das escolas particulares que vem perdendo alunos sistematicamente”.

Ao tratar da questão da farda, Belelli acusa Caco Barcellos de desinformação: “os uniformes padronizados servem para acabar com as diferenças sociais. Nas escolas particulares, os alunos com mais condições desfilam tênis de mil reais enquanto outros vão de chinelos. No colégio militar todos são iguais”. Outro ponto destacado por ele é a questão da segurança. “Quando se exige que os alunos estejam trajados da mesma maneira, evita-se tragédias como a da escola em Realengo. Isto também jutifica os policiais armados”, esclareceu.

Para o major, há uma discriminação para com as escolas militares porque os valores sociais estão invertidos. “A sociedade de hoje e de certo a proposta pelo tal Caco Barcellos aceita alunos ameaçando professores, xingando, usando drogas na sala de aula, levando armas… No colégio militar a cultura do respeito e do civismo é o que garante tamanha superioridade”, reforça. Belelli acusa, ainda, o Governo Federal de alienação. “Para os poderosos do PT não é interessante ter uma sociedade esclarecida, com valores e caráter, como os alunos dos colégios militares. Estes são mais difíceis de cooptar”, alfineta.

Ao que parece, quem conhece a metodologia dos militares concorda com o major. “Sou muito feliz no meu colégio. Bato continência para os militares por respeito e não por obrigação. É uma questão de educação”, explica a aluna Isadora. Já o ex-aluno Romário Oliveira escreveu no Facebook: “foi uma honra poder me formar em um dos colégios mais renomados de Goiás […] Devo muito à essa instituição na qual tem grande parcela pelo meu sucesso profissional e até pessoal”. “É claro que também existem contras, mas sem dúvida, nossos colégios não são os piores do país e deviam sim ser vistos como exemplo a ser seguido”, arremata Lucas Ramos.

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Alexandre Parrode
Jornal Opção
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