quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Ex-chefe de segurança de Chávez liga número 2 da Venezuela ao narcotráfico


Imagem: Miguel Gutierrez/EFE
Um capitão de corveta que foi chefe de segurança do caudilho Hugo Chávez tornou-se peça-chave de uma investigação das autoridades americanas sobre ligações entre o chavismo e o narcotráfico. Sob proteção judicial, Leamsy Salazar chegou nesta segunda-feira aos Estados Unidos como testemunha do caso, informou o jornal Miami Herald.


Segundo a publicação, Salazar afirma que a organização conhecida como Cartel de los Soles é dirigida pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello. “Esse é o golpe mais duro já dado no chavismo. Este é o homem que revelou todos os segredos. Foi chefe de segurança de Cabello e chefe de segurança de Chávez”, disse uma fonte ligada à investigação. “Ele foi a pessoa de maior confiança de Chávez”, acrescentou a fonte, que acompanhou Salazar no voo até Washington.

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O Miami Herald afirma que o capitão chegou aos EUA com agentes da Divisão de Operações Especiais da Agência Antidroga (DEA) que há meses estão em contato com Salazar. O ex-chefe de segurança também envolve Cuba nas acusações, dando proteção e ajudando nos envios regulares de droga do cartel por meio de rotas que partem da Venezuela em direção aos EUA, informou o jornal ABC, de Madri.

O diário espanhol afirma que o cartel, composto basicamente por militares (e cujo nome deriva de um emblema dos uniformes dos generais venezuelanos), tem o monopólio do tráfico de drogas na Venezuela. Os entorpecentes são produzidos pelas Farc e chegam ao destino final, nos EUA e na Europa, por meio de cartéis mexicanos.

Membro da Casa Militar, encarregada da segurança presidencial, Salazar foi assistente pessoal de Chávez durante quase dez anos. Depois da morte do coronel, o presidente da Assembleia – que também é primeiro-vice-presidente do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) – requisitou seus serviços. Como pessoa próxima, Salazar viu Cabello dando ordens diretas para a partida de lanchas carregadas com toneladas de cocaína, segundo fontes próximas à investigação.

Em uma situação específica citada pelo ABC, um caminhão carregado com cerca de dez milhões de dólares em dinheiro foi detido no terminal marítimo de Puerto Cabello, o mais importante da Venezuela. O veículo procedia dos Estados Unidos os investigadores acreditam que poderia ser um pagamento por droga recebida. Dias depois, em seu programa semanal de televisão, Cabello acusou a oposição de ser destinatária do dinheiro, sem apresentar nenhuma prova.

Filho de Chávez – Segundo o jornal espanhol, também há indícios sobre o uso de aviões da estatal de petróleo PDVSA para transportar droga, em voos organizados pelo filho de Chávez e o filho de Germán Sánchez Otero, que foi embaixador de Cuba em Caracas até 2009. O transporte seria feito com a conivência do ex-embaixador e de outros funcionários cubanos.

A investigação envolvendo Diosdado Cabello está ligada à acusação formal feita no ano passado pelas promotorias federais de Nova York e Miami contra o general venezuelano Hugo Carvajal, que foi chefe da Direção de Inteligência Militar. Conhecido como ‘el Pollo’, Carvajal foi detido em julho na ilha holandesa de Aruba, vizinha da Venezuela, a pedido dos EUA, que reclamaram sua extradição. No entanto, ele acabou sendo liberado.

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Carvajal vinha sendo considerado o grande operador do Cartel de los Soles, mas segundo Salazar ele obedecia as ordens de Cabello. Em seu perfil no Twitter, o presidente do Parlamento venezuelano reagiu às acusações dizendo que “cada ataque contra minha pessoa fortalece meu espírito e meu compromisso”.

O deputado Pedro Carreño, líder da bancada do PSUV, colocou a CIA na história, dizendo que a agência de inteligência americana “comprou a consciência do ex-guarda-costas de Cabello para ligá-lo ao narcotráfico”. “Estamos com você diante desta infâmia, camarada!” “Todos sabemos como trabalha a direita internacional. Ninguém duvida da honra do nosso presidente da Assembleia Nacional”, reafirmou o deputado em entrevista coletiva. Segundo o jornal venezuelano El Nacional, ele ainda ameaçou ao dizer que o “povo venezuelano” defenderá Cabello.

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