domingo, 10 de maio de 2015

Militar boliviano diz que o partido Podemos seria braço do tráfico venezuelano


Imagem: Hohan Ordonez/AFP
O partido Podemos é uma das estrelas da corrida para as eleições de novembro na Espanha. Com menos de dois anos de existência, está em terceiro lugar na preferência dos eleitores. Seu líder é o cientista político Pablo Iglesias, de 36 anos. Com uma postura desafiadora, ele defende a redistribuição da riqueza, vocifera contra o que chama de neoliberalismo e faz louvações ao finado presidente venezuelano Hugo Chávez. Para os jovens que o adoram, Iglesias é um idealista que quer tirar seu país da crise. Para seus financiadores espalhados pela América Latina, contudo, o papel a ele reservado é outro: tornar a Espanha em entreposto privilegiado de cocaína na Europa. Mais do que buscar uma expansão ideológica, o objetivo dos governos bolivarianos é expandir seu principal negócio: o tráfico de drogas.

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​A constatação está em um relatório ultrassecreto de 34 páginas assinado pelo coronel boliviano Germán Cardona Álvarez, que trabalhou como assessor jurídico da Oitava Divisão do Exército, foi professor universitário e diretor do Hospital Militar Número 2 em Santa Cruz de la Sierra. No dia 20 de fevereiro, ele enviou ao comandante-geral do Exército da Bolívia um informe em que narrava fatos de seu conhecimento. As páginas, com denúncias de envolvimento de membros do governo com o narcotráfico, chegaram às autoridades e Cardona teve de fugir para a Espanha. No texto, o coronel relata a remessa de co­caí­na peruana e boliviana do Aeroporto Internacional de Chimoré (Bolívia) para a Venezuela em aviões militares, "os quais, por serem oficiais de um Estado, não podem ser interceptados no espaço aéreo internacional". As aeronaves Hércules C-130 deixam a Venezuela com armamento militar e retornam carregadas de cocaína e veículos que chegam à Bolívia depois de ser roubados no Brasil. Em Caracas, a droga é embarcada novamente e de lá levada a outros destinos. Dentro desse esquema, diz o relatório, há seis anos, Hugo Chávez, o atual presidente venezuelano Nicolás Maduro e o boliviano Evo Morales usaram uma organização chamada Centro de Estudos Políticos e Sociais (Ceps) para financiar o Podemos, da Espanha. "Uma vez que conquistem o governo espanhol, será constituída uma porta direta para a entrada de cocaína na Europa, que será enviada (...) em aviões oficiais e militares". O plano previa, portanto, que, com os aliados no poder, seria possível burlar a fiscalização antidrogas nos aeroportos espanhóis.

As relações entre o Podemos e os governos autoritários da América Latina são íntimas e certas. O jornal espanhol El País revelou, em junho do ano passado, que o Ceps recebeu 3,7 milhões de euros do governo venezuelano entre 2002, quando foi fundado, e 2012. O pagamento estava vinculado a serviços prestados a vários órgãos do governo da Venezuela, incluindo uma assessoria direta a Hugo Chávez. Entre 2006 e 2007, Iglesias esteve pessoalmente trabalhando nesse país. Além disso, em 2007, uma equipe do Ceps, comandada pelo espanhol, prestou "assessoria ideológica" aos políticos que redigiram a nova Constituição da Bolívia, na cidade de Sucre. O texto, aprovado em um quartel e sem a presença da oposição, declarou a folha de coca, matéria-prima da cocaína, um "patrimônio cultural, recurso natural renovável e fator de coesão social" que deve ser protegido pelo Estado.

Em janeiro de 2015, uma nova descoberta levou um dirigente do Podemos e ex-­membro do Ceps, o cientista político Juan Carlos Monedero, a deixar o partido. Ele foi acusado de receber 425 000 euros dos governos da Bolívia, da Nicarágua, da Venezuela e do Equador a pretexto de um estudo sobre uma utópica "unidade monetária" na América Latina. Os repasses ocorreram no fim de 2013, meses antes das eleições de maio do ano seguinte. A suspeita é que o montante tenha sido empregado na criação do Podemos. A legislação espanhola, contudo, proíbe que as siglas recebam verba do exterior.

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Duda Teixeira
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