segunda-feira, 15 de junho de 2015

Para jornalistas, entrevista de Dilma a Jô foi tiro no pé de apresentador


Imagem: Roberto Stuckert Filho / PR
A entrevista da presidente Dilma Rousseff a Jô Soares, exibida pela Globo na madrugada de sexta (12) para sábado (13), foi o assunto do fim de semana nos bastidores da emissora. Não pelo seu conteúdo explosivo, que não houve, mas pelos bastidores que a envolveram. Para jornalistas e diretores da Globo ouvidos pelo Notícias da TV, o encontro foi "um papo de comadre que não teve nada que se assemelhasse a uma entrevista". Fez bem à imagem da rede, mas ajudou a queimar a do apresentador de talk show.


Avalia-se internamente que a repercussão negativa da entrevista foi um tiro no pé de Jô Soares - seu tom ameno gerou reações iradas nas redes sociais durante todo o sábado. O entrevistador, que já vinha sendo questionado na emissora, saiu enfraquecido do episódio. Os defensores de um novo talk show com Marcelo Adnet, já em testes na emissora, ganharam o argumento de que Jô já não tem a mesma lucidez para analisar o cenário político e econômico.

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Segundo as fontes consultadas, é arriscado dizer que a entrevista poderá acelerar o processo de aposentadoria do apresentador, mas não será surpresa para elas se o Programa do Jô deixar de ser diário em 2016, compartilhando o horário pós-Jornal da Globo com Adnet ou outro apresentador.

Para a Globo, a entrevista foi ótima porque enfraquece o discurso de que a emissora não abre espaço para o governo e faz um contraponto às sabatinas do Jornal Nacional durante a campanha eleitoral do ano passado, com perguntas agressivas sobre corrupção e economia por parte de William Bonner.

A entrevista foi articulada pelo próprio Jô Soares. Não houve interferência da Globo. Alguns diretores da emissora até consultaram João Roberto Marinho, vice-presidente do grupo, mas a ideia de veto foi rechaçada.

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Foi a segunda vez que Jô Soares entrevistou um presidente da República no exercício do cargo. Antes de Dilma, ele só havia falado com Fernando Henrique Cardoso. Em 2004, o apresentador cancelou uma entrevista com Luiz Inácio Lula da Silva porque se sentiu "furado" por Carlos Massa, o Ratinho, como confessou a Mauricio Stycer.

Ao jornalista do UOL, Jô classificou a entrevista de "histórica" e se defendeu das críticas de que foi favorável à presidente: "Sou petista de raiz", disse, irônico. "Antes, se eu entrevistava alguém do PSDB, era chamado de petista. E se entrevistava alguém do PT, era chamado de tucano. É sempre assim", explicou.

No Ibope da Grande São Paulo, segundo dados preliminares do Ibope, a entrevista de Dilma rendeu 6,7 pontos, uma audiência acima da média do Programa do Jô. No horário, SBT e Record marcaram 4,4 e 2,7 pontos, respectivamente.

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