terça-feira, 29 de setembro de 2015

Secretário de Segurança do RS pede que população aja com as próprias mãos contra criminosos


Imagem: Divulgação
Em meio à escalada da criminalidade no Rio Grande do Sul, agravada por uma crise econômica que desencadeou o atraso de salários dos policiais civis e militares, o secretário estadual da Segurança Pública, Wantuir Jacini, descartou pedir auxílio da Força Nacional e recomendou que os cidadãos agissem com as próprias mãos. A declaração foi dada nesse sábado (26), à Rádio Guaíba, de Porto Alegre.


"Concordo que a sociedade não tem esse preparo, no entanto, a lei permite que qualquer cidadão prenda em flagrante quem estiver cometendo crimes. A obrigação é da polícia, não estou dizendo que todo cidadão faça isso, mas pessoas mais desprendidas que fizerem estão respaldadas pela lei. Melhor seria não atuar, mas se for inevitável, que atuem", afirmou o secretário, no momento em que delegados vêm a público insistir que as vítimas nunca reajam a uma ameaça. 

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A resposta foi dada após questionamento sobre como a população deve proceder diante uma ameaça, como a que ocorreu na sexta-feira (25), quando atiradores dispararam contra um posto de saúde ferindo sete e deixando um morto na Vila Cruzeiro, zona sul de Porto Alegre. Horas depois, três homens atearam fogo a um ônibus no mesmo bairro, como represália, segundo a polícia. Quatro passageiros ficaram intoxicados pela fumaça.
A declaração de Jacini repercutiu nas redes sociais. De forma bem-humorada, porto-alegrenses criticaram o secretário. "Partiu milícia", sugere uma internauta. "Minha arma será um guarda-chuva", comentou uma outra. 

Histórico de polêmicas

Essa não é a primeira declaração polêmica do Secretário da Segurança. Em abril, ao comentar o episódio em que uma menina de sete anos morreu ao ser atingida por um tiro de fuzil enquanto dormia, Jacini deu a entender que as famílias também são responsáveis em casos como este.

"Antigamente, o pai era apenas o provedor do lar e a mãe ficava fazendo a educação. Hoje a mãe sai para prover o lar também e as crianças ficam sozinhas, ficam na rua, à mercê de todos os criminosos, principalmente nas periferias", declarou.

Já no início do mês, quando em um intervalo de 13 horas sete pessoas foram mortas na região metropolitana do Estado, o secretário relativizou a gravidade dos números: "A maioria dessas vítimas tinha antecedentes criminais, a maioria delas. Não se trata de pessoas que não tivessem antecedentes. Claro que é uma coisa que nos impacta, porque são muitas vítimas. Mas impactaria muito mais se as vítimas não tivessem antecedentes criminais. Dessas, a maioria tem. Então, é uma situação que impacta, mas não gera a mesma consternação que causaria se fossem pessoas que não tivessem antecedentes", destacou na época ao jornal Zero Hora.

Jacini foi nomeado secretário da Segurança do RS após a posse do governador José Ivo Sartori (PMDB). Policial federal, antes de assumir a pasta, ele era secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul.

A reportagem tentou contato por telefone neste domingo com a assessoria do secretário, mas não obteve retorno.

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