sábado, 20 de fevereiro de 2016

Delcídio é solto por ministro que disse poder influenciar


Imagem: Reuters
O ministro Teori Zavascki decidiu pela soltura do senador Delcídio do Amaral, com base no argumento de que, já que Nestor Cerveró já fez sua delação premiada, o senador não poderia mais "influenciá-lo" para impedir a delação. O colunista Felipe Moura Brasil, da revista Veja, comenta a decisão e lembra que, na gravação que levou Delcídio à cadeia, o senador citou nominalmente o ministro Teori. 

Leia abaixo o texto de Felipe Moura Brasil: 

O blog elegeu Luís Roberto “Minha Posição” Barroso o “funcionário do mês” do PT em dezembro.
Passado o recesso do Poder Judiciário, Teori Zavascki volta neste mês de fevereiro ao posto conquistado em outubro, quando chegou a ajudar o PT três vezes na mesma semana.
Leia também: 
Teori determinou a soltura de Delcídio do Amaral, como revelou a coluna Radar.
É o mesmo Teori, relembro, citado pelo próprio Delcídio em gravação de Bernardo Cerveró como um dos ministros do STF que o senador petista e então líder do governo Dilma no Senado poderia influenciar em prol da soltura de Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras condenado por envolvimento no esquema de corrupção da estatal.
O pai de Bernardo continua preso, em processo de delação premiada, mas, graças a Teori, Delcídio, que vinha ameaçando o PT com delação, vai para prisão domiciliar, onde ficará apenas em noites e dias de folga, sem tornozeleira eletrônica, liberado para trabalhar no Congresso em horário comercial, às custas do povo. O chefe de gabinete do senador, Diogo Ferreira, também será solto.
O STF determinara a prisão de Delcídio 70 dias atrás, em novembro, após a revelação da gravação que mostrava suas tentativas de garantir a liberdade de Nestor Cerveró e de articular a fuga dele pelo Paraguai e depois por meio de um jatinho, sem escalas, até a Espanha, já que o ex-diretor tem dupla cidadania, brasileira e espanhola.
O próprio Teori apontara o oferecimento de vantagens, como mesada de R$ 50 mil para a família de Cerveró e R$ 4 milhões a seu advogado, Edison Ribeiro.
Escrevi na ocasião que o STF irritadinho (por aparecer, literalmente, mal na fita) era melhor.
Naturalmente, porém, o teatro durou pouco.
Teori amoleceu diante da pressão petista, do pedido de Rodrigo Janot e dos supostos argumentos do amigo Gilson Dipp, que colabora na defesa de Delcídio no STF e no Conselho de Ética. O advogado alegou que a prisão foi “inconstitucional”, que a gravação ocorreu de “maneira sorrateira” e que foram “simples jactância (bravata)” as menções do senador aos ministros.
Para conseguir a liberdade assim, Dipp deve ser mesmo uma influência e tanto que Delcídio tem sobre Teori.
[PS: O Globo chegou a informar que Delcídio será solto (fato) porque assinou acordo de delação premiada (o que seria menos mau), mas o advogado de defesa Figueiredo Basto desmentiu esta informação, dizendo que a matéria é furada.]

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