sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Delações devem ter novo 'recall' quando nova PGR assumir


Imagem: Minervino Junior / CB
Além de uma delação premiada da Lava Jato que deverá ser anulada, como antecipou Rodrigo Janot em entrevista nesta semana, outras colaborações, principalmente as que citam políticos, passarão por recall quando a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, assumir.



Não será como o recall de empreiteiras, que tiveram a chance de falar de fatos que haviam omitido. Os colaboradores serão chamados para esclarecer inconsistências, apresentar provas de pontos específicos e responder a contradições entre seus relatos e os de outros delatores. Farão parte desse rol Sérgio Machado, Delcídio Amaral e alguns delatores ligados à Odebrecht.

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Não é, portanto, a delação do ex-líder do governo Dilma Rousseff aquela que Janot decidiu anular. Trata-se de um delator menos “visado”, segundo investigadores, e que mentiu deliberadamente em depoimentos. O nome é mantido em segredo porque a anulação ensejará outras medidas, como buscas e prisões.

As delações de Machado e Delcídio têm o mesmo tipo de problemas: não oferecem provas de conversas, fatos pretéritos e de como políticos do PT e do PMDB teriam obstruído a Justiça. A do ex-senador petista, porém, foi corroborada por assessores e colaboradores da Odebrecht, reconhecem investigadores, o que deve lhe dar uma condição melhor de manter benefícios em relação ao ex-presidente da Transpetro.

Simples contradições não devem anular acordos. Procuradores e ministros do STF dizem que, muitas vezes, um delator tem apenas a visão parcial de um crime. Cancelamento virá apenas quando ficar comprovado que houve mentira ou omissão de fatos para proteger ou incriminar pessoas.

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Vera Magalhães
O Estado de S.Paulo
Editado por Política na Rede
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