sábado, 19 de agosto de 2017

Em campanha, Lula admite mentiras: 'eu dizia que governava para todo mundo, mas sempre souberam que tenho minha preferência'


Imagem: Beto Macário / UOL
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em plena campanha eleitoral antecipada, fez um duro discurso a trabalhadores rurais, no início da tarde deste sábado (19), em Feira de Santana (BA), criticou a "elite" e pediu confiança ao PT. Para isso, disse que, se o partido voltar, terá posturas diferentes por saber, agora, em quem confiar.



"A única coisa que eu queria que vocês soubessem é que, se um dia o PT voltar a governar esse país, a gente vai fazer mais do que fez, vai ter mais compromisso que a gente teve, porque a gente tem certeza de quem está do nosso lado", disse, numa clara referência a partidos e empresários que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff.

Ao lado do governador da Bahia Rui Costa (PT) e da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffman, ele disse que, quando governou o país (entre 2003 e 2010) usava um discurso mais universal ao povo, mas que no fundo sempre teve uma predileção pelos pobres. "Quando era presidente eu dizia que governava para todo mundo, mas sempre souberam que tenho minha preferência", afirmou.

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Para Lula, os governos petistas são os melhores que o país pode ter, seja em qual esfera de poder. "Eles sabem que nossos governos são os mais competentes. Desde a primeira prefeitura, em 1982, quando ganhamos e criamos o orçamento participativo, algo reconhecido pela ONU e Unesco. Eu acho que eles não gostam de gostar de pobre", disse.

Lula voltou a dizer que "eles sabem que posso dar um jeito nesse país". "A gente precisa levantar a cabeça, não baixar, não se amargurar e lutar. O Brasil tem jeito, é um país extraordinário", pontuou.

Voto qualificado

O ex-presidente ainda pediu para que as pessoas ajudem a melhorar a qualidade dos políticos durante os processos eleitorais. Para ele, o Congresso brasileiro "não surgiu do nada" e representa o "retrato" da mobilização do país no dia da eleição.

"O povo vai começar a ficar esperto, não dá mais para votar sem saber se é raposa ou não, se ele vai ter coragem de acabar com a aposentadoria rural desse país", afirmou.

O discurso de Lula foi quase que inteiro criticando "elites" e defendendo políticas públicas aos mais pobres. Disse que, apesar de todos empresários terem ganho dinheiro em seu governo, eles não reconhecem.

"O rico, além de pegar financiamento, sai falando mal de gente, é ingrato. Quando você dá R$ 20 a uma pessoa humilde, ela agradece e vai levar comida para casa. O rico vai abrir uma conta corrente e investir no exterior. Mas eles sabem que a gente aprendeu isso, está mais calejado. Por isso que é bom não ter medo de ficar velho", afirmou.

Fome voltou

Lula ainda foi duro quando falou sobre políticas de convivência com o semiárido. Para ele, a fome é um problema novamente presente na região castigada pela seca há seis anos. "Agora está voltando [a fome] outra vez na verdade porque não temos governo. Ele não representa o povo, mas uma parte da imprensa e representa os deputados picaretas que votaram no impeachment contra a Dilma", atacou.

Em caravana pelo Nordeste, ele também garantiu que vai fazer viagens semelhantes em todas as regiões do país. "E onde você estiver, na situação que vocês estiverem, quero que vocês saibam que têm um companheiro disposto a lutar até o fim. Vocês são motivo de orgulho desse país", finalizou.

Esse foi o último evento público de Lula na Bahia. Ele dorme em Feira de Santana e nesse domingo segue para Estância, a primeira de cinco cidades sergipanas que visitará em três dias.

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Carlos Madeiro
UOL
Editado por Política na Rede
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