segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Gilmar Mendes chama grupo antibomba após receber pacote suspeito


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes recebeu, há algumas semanas, um pacote considerado suspeito e chamou o grupo antibombas para examinar o material. Tratava-se de uma correspondência que tinha como remetente o nome de um dos mais famosos traidores da história do Brasil, o coronel português Joaquim Silvério dos Reis, que no final do século 18 participava da Inconfidência Mineira ao mesmo tempo em que acumulava pendências financeiras com a Coroa. Em troca do perdão das dívidas, Reis entregou ao visconde de Barbacena os planos dos conjurados, possibilitando às autoridades portuguesas desbaratar rapidamente a insurreição.






Duzentos e vinte e oito anos depois dos acontecimentos que reservaram ao coronel português um lugar de desonra na história, o pacote suspeito e a alusão ao traidor da Inconfidência acenderam o sinal amarelo no gabinete de Gilmar. A primeira providência foi despachar a encomenda para o raio-x do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Corte que o ministro preside. O aparelho, porém, não conseguiu decifrar o pesado e misterioso conteúdo da tal caixa, feita de material maciço.

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Como ninguém ali se atreveu a pegar uma tesoura e abrir a embalagem, um grupo antibombas da polícia foi acionado. Depois de alguns procedimentos, o pacote foi aberto, sem que nenhuma ameaça à integridade física das pessoas fosse detectada. O remetente enviou ao magistrado um amontoado de moedas de real, de pequeno valor. Não deixou nenhum bilhete.

Assessores do ministro se questionam se a pessoa que enviou o presente queria fazer uma alusão ao caráter de Silvério dos Reis, que traiu os inconfidentes com objetivos pecuniários, ou se tinha em mente outras referências mais longínquas, como o relato bíblico das 30 moedas que levaram Judas a trair Jesus Cristo.

Gilmar afirma não temer ameaças, mas quem o vê circulando pelo Supremo percebe uma mudança de postura, pela quantidade seguranças que o acompanham. "Meu pessoal acompanha, e se vê maior seriedade comunica a polícia. Eu lido com naturalidade com protestos, reclamações e vaias", respondeu à reportagem. "Eu ando hoje com segurança por recomendação. Muitas vezes saio sozinho e sou sempre bem tratado. Ainda agora, em Lisboa, tirei várias selfies com brasileiros."

As moedas recebidas do "traidor da Inconfidência" acabaram doadas, segundo a assessoria do ministro, por ordem de Gilmar, para a Catedral de Brasília.

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Camila Mattoso
Valor
Editado por Política na Rede
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