terça-feira, 8 de agosto de 2017

Ministério Público cumpre mandado de busca e apreensão na casa de Garotinho


Imagem: Gabriel de Paiva / Ag. O Globo
Agentes do Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) e da Secretaria de Estado de Segurança cumpriram, na manhã desta terça-feira, um mandado de busca e apreensão na casa dos ex-governadores Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho, em Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense. O objetivo da ação, que faz parte da Operação Caça-Fantasma, é recolher documentos relacionados a um suposto esquema de fraudes que seria comandado pelo empresário Fernando Trabach Gomes, que teve a prisão preventiva decretada.



Fernando Trabach é acusado de usar um nome falso — George Augusto Pereira da Silva — e fraudar licitações em municípios como Campos e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. As empresas em nome do "fantasma" firmaram contratos com a prefeitura de Campos durante a gestão de Rosinha Garotinho, mulher do ex-governador, e prestaram serviços para Garotinho quando ele foi deputado federal.

Ao todo, o MP denunciou 11 supostos integrantes da quadrilha por organização criminosa, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e falsidade ideológica — a denúncia já foi aceita pela 3ª Vara Criminal de Caxias. Garotinho e Rosinha não estão na lista dos réus.

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Além de Trabach, outras duas pessoas tiveram a prisão preventiva decretada, mas os nomes ainda não foram revelados. O Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc) também esteve na sede da prefeitura de Campos, que até ano passado era comandada por Rosinha. Trinta mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta manhã.

O esquema, de acordo com o Ministério Público, começou a vigorar em 2006. Em Campos, a prefeitura contratou empresas ligadas ao empresário para alugar ambulâncias, em contratos que chegaram a R$ 17,3 milhões. A operação apura ainda contratos assinados com a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e a Polícia Civil.

Em 2013, a revista "Época" revelou que Garotinho, então deputado federal, havia alugado, por meio do gabinete na Câmara, veículos da empresa GAP Comércio e Serviços Especiais. A firma está registrada em nome de George Augusto Pereira da Silva, o fantasma criado por Trabach. Na ocasião, o ex-governador negou irregularidades e afirmou que não conhecia George Augusto Pereira. A prefeitura de Campos também negou, à época, qualquer irregularidade. O ex-governador, na ocasião, disse que os contratos haviam sido auditados e que a prefeitura fora vítima de "um golpe, uma fraude documental".

Em nota, Garotinho e Rosinha afirmaram que "a prefeitura de Campos foi vítima, a exemplo de outras prefeituras e órgãos públicos do estado". O casal classificou o cumprimento do mandado de busca e apreensão de "perseguição política". A nota diz ainda que, após a revelação dos fatos, Rosinha rescindiu o contrato com a GAP e "reteve recursos que ela tinha receber".

A prefeitura de Campos também se manifestou na manhã desta terça-feira, por meio de nota. Confira a íntegra do comunicado:

"Agentes do Ministério Público Estadual (MPE) realizam operação na manhã desta terça-feira (08) na sede da Prefeitura de Campos com o objetivo de recolher documentos relativos à empresa GAP, que prestava serviços de ambulância para a gestão passada.

O procurador geral do município José Paes Neto acompanha a equipe do MPE, que está com mandado de busca e apreensão, e recolhe documentos relativos à empresa que se encontra sob investigação judicial por conta dos serviços prestados à antiga gestão."

A defesa do empresário Fernando Trabach Gomes afirmou que está obtendo cópia das decisões judiciais e da denúncia. Para a defesa, "os fatos não são novos e o envolvido sempre esteve, como está, à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento. Inclusive, recentemente, compareceu voluntariamente para prestar depoimento. A prisão é medida extrema e desproporcional no caso".


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Marco Grillo 
O Globo
Editado por Política na Rede
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