segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Definição sobre futuro da delação da JBS pode ficar com Raquel Dodge


Imagem: Pedro Ladeira / Folhapress
Com a prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud, o procurador-geral, Rodrigo Janot, pretende agora definir a estratégia em torno da delação premiada de ambos: se pedirá ao STF (Supremo Tribunal Federal) a sua anulação ou se negociará uma repactuação, incluindo medidas cautelares aos executivos.



Por ora, o acordo de ambos está suspenso temporariamente pelo ministro Edson Fachin até que expire a prisão temporária, na sexta (15).

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Desgastado pelo episódio, Janot entra em sua última semana como chefe da Procuradoria-Geral da República. Tem até sexta-feira para tentar reverter um ambiente negativo criado com o áudio que aponta a atuação do ex-procurador Marcello Miller a favor da JBS quando ainda atuava na Procuradoria.

Segundo a Folha apurou, Janot sofre pressão de duas correntes em sua equipe: uma ala de procuradores defende que ele decida nesta semana pelo cancelamento do acordo de Joesley e Saud –seria, no caso, uma forma de diminuir o estrago político causado pela gravação, mostrando que a PGR não compactuaria com desvios éticos e morais dos delatores.

Outro grupo avalia que a PGR deveria evitar uma postura radical e levar em conta o conteúdo de provas oferecidas por Joesley e Saud, como gravações e a ação controlada que resultou na entrega de uma mala de R$ 500 mil a Rodrigo da Rocha Loures, ex-assessor do presidente Michel Temer.

ACORDO

Neste cenário, o acordo seria mantido e as cláusulas poderiam ser refeitas, acrescentando medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, um período de prisão domiciliar ou em regime fechado, como ocorreu com Marcelo Odebrecht, ex-presidente e herdeiro do grupo baiano.

E aí reside um problema interno: essa hipótese levaria um certo tempo e provavelmente não seria apresentada ao STF nem discutida por Janot, mas por sua sucessora, Raquel Dodge, que assume o comando da PGR no dia 18.

Desde a campanha para o cargo de chefe do Ministério Público Federal, Dodge, indicada ao cargo por Temer, tem se mostrado reticente quanto aos termos do acordo da JBS.

Nos bastidores, ela sempre se posicionou contrariamente à imunidade concedida inicialmente aos delatores.

A aposta dentro da Procuradoria é que Dodge, que deve ter um perfil de gestão antagônico ao do antecessor, adote uma postura rigorosa e esteja pouco disposta a renegociar, em nome da instituição, com o grupo da JBS.


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Leandro Colon
Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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