segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Para petistas, pressão familiar e patrimônio influenciaram depoimento de Palocci


Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom / ABr
Quinze anos após derrubar a resistência do mercado financeiro a Lula com a “Carta ao Povo Brasileiro”, o ex-ministro Antonio Palocci quebrou a lei do silêncio que os militantes históricos do PT se impõem e disparou, na última quarta-feira, o mais duro ataque ao ex-presidente na Lava-Jato. Na avaliação de petistas, dois fatores foram fundamentais para que o médico sanitarista de 56 anos, preso desde setembro do ano passado, resolvesse abrir fogo contra o partido: a pressão da família e o vultoso patrimônio acumulado na última década.



Ao longo de quase 40 anos na política, Palocci cumpriu as três etapas da militância partidária: lutou contra a ditadura no movimento estudantil, foi duas vezes prefeito de Ribeirão Preto (SP), uma das principais cidades administradas pelo PT no período pré-Planalto, e ocupou postos-chave nos governos Lula e Dilma. Considerado um estrategista brilhante, com capacidade única de ler a conjuntura política, o ex-ministro não poupou os colegas de legenda para buscar o objetivo que vem perseguindo nos últimos cinco meses: fechar um acordo de delação premiada e sair da cadeia.

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Em abril, quando contratou um advogado especialista em colaboração com a Justiça, um dirigente do PT apostava que o movimento era apenas um blefe de Palocci para fazer com que instituições financeiras, que poderiam temer uma delação sua, pressionassem o Supremo Tribunal Federal (STF) a lhe conceder um habeas corpus. Ao verem que não era uma artimanha, petistas foram contaminados por perplexidade e medo.

A pressão familiar que levou Palocci a buscar esse caminho tem origem em um episódio ocorrido em 2006, quando ele foi acusado de frequentar uma casa usada por lobistas no Lago Sul, em Brasília. A mulher do então ministro da Fazenda, Margareth, se irritou com a exposição do caso, principalmente devido a relatos de que o local abrigava festas com garotas de programa. Esse histórico levou Palocci a se ver obrigado a ceder aos apelos da mulher por uma delação. A situação familiar se agravou no meio do ano, após o Ministério Público Federal passar a investigar suspeita de lavagem de dinheiro na compra de dois imóveis adquiridos com dinheiro doado pelo ex-ministro, por sua filha e sua enteada.

O dinheiro da consultoria

Ex-companheira de Palocci na organização estudantil trotskista Liberdade e Luta (Libelu), Margareth trabalhou como assessora da presidência da Fundação Nacional de Saúde no primeiro governo do PT. Depois do escândalo, saiu da política e chegou a ser sócia na Projeto, empresa de consultoria que permitiu a Palocci mudar o seu padrão de vida.

— Para ser delator, tem que ter dinheiro. Quem vai dar emprego para uma pessoa em que não pode confiar? Palocci não precisa mais trabalhar — diz um dirigente petista, que conhece o ex-ministro desde o movimento estudantil

Segundo relatório da Receita Federal obtido pela Lava-Jato, o ex-ministro recebeu R$ 11,7 milhões da Projeto entre 2005 e 2015. Além disso, o apartamento de 500 metros quadrados, quatro suítes e cinco vagas de garagem em que ele mora nos Jardins, em São Paulo, está em nome da empresa.

Foi a revelação da compra desse imóvel por R$ 6,6 milhões que levou Palocci à sua segunda queda, já no mandato de Dilma Rousseff. Em 2006, na última eleição que disputou, ele havia declarado patrimônio de R$ 295 mil, muito menor do que o preço do apartamento. Dilma demitiu seu ministro da Casa Civil menos de seis meses após sua posse.

Muitos petistas avaliam que o destino da própria Dilma poderia ter sido outro se Palocci não tivesse saído. Segundo ex-ministros, ele era o único que sabia lidar com o temperamento explosivo da chefe e conseguia apresentar suas opiniões.


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Editado por Política na Rede
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