domingo, 24 de setembro de 2017

Partidos disputam procuradores da Lava Jato de olho em 2018


Imagem: Dida Sampaio / Estadão
A possibilidade cada vez menos improvável de que o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, abrace a carreira política, faz o cenário eleitoral do Paraná entrar em ebulição. O Podemos, do senador Álvaro Dias, e a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, têm, sutilmente, disputado o passe de uma das estrelas da operação. O negociador da Lava Jato, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, também teria sido sondado pelos mesmos partidos. Ironicamente, o PT local torce para que eles se decidam pela nova carreira.


Os primeiros sinais vieram do próprio Dallagnol. Em suas palestras, o procurador tem citado a necessidade da renovação política. Claro que o discurso tem levado a inevitável pergunta: “O senhor é candidato?” Durante o 8.º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, em Campos de Jordão, no interior paulista, Dallagnol chegou a declarar que quatro partidos o haviam procurado – ele, no entanto, não revela os nomes das legendas. No mesmo evento, não descartou “servir em diferentes posições públicas ou privadas”. Dallagnol voltou a tocar no assunto em entrevista ao jornalista Ricardo Boechat, na Band News FM, quando disse que não pretende ser candidato agora, mas não descartou essa hipótese no futuro.

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As pesquisas, entretanto, não esperam o futuro chegar. O instituto Paraná Pesquisas perguntou ao eleitor do Estado em quem ele votaria para o Senado em 2018. Dallagnol apareceu com 29,6%; atrás de Roberto Requião, com 31,4%; na frente de Beto Richa (22,2%) e muito à frente de nomes tradicionais da política paranaense como o ex-prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, e a senadora Gleisi Hoffmann. Como Requião deve ser candidato ao governo, o procurador teria chances no Senado.

O resultado da pesquisa teria aumentado a pressão dos partidos sobre Dallagnol. Pessoas próximas ao núcleo duro da Lava Jato garantem que mesmo entre os procuradores existe um desejo de que algum integrante da força-tarefa se viabilize politicamente. 

É aí que surge o nome de Carlos Fernando dos Santos Lima. Tão conhecido como Dallagnol, Santos Lima teria a seu favor o fato de ser mais velho (53 anos) e com “menos a perder” do que Dallagnol (37 anos). Santos Lima estaria sendo cotado para deputado federal.

Tão logo seu nome começou a ser cogitado, Santos Lima se apressou em desmentir, no Facebook, a hipótese: “Antes de mais nada, não serei candidato a nenhum cargo político nas próximas eleições e muito menos fui procurado ou conversei com qualquer partido”.

No Paraná, muita gente ligada ao universo político garante que ele pode ser convencido do contrário. Não por acaso, o próximo levantamento do Paraná Pesquisas sobre as intenções de voto no Estado testará o nome do procurador.

O Estado procurou os membros do MPF. A resposta veio pela assessoria: “Nenhum procurador da força-tarefa em Curitiba é pré-candidato a nenhum cargo eletivo. Isso é boataria”.

Partidos. O Podemos do senador Álvaro Dias é quem tem demonstrado maior interesse nos procuradores. A chapa dos sonhos para o partido teria o próprio senador como candidato à Presidência, Osmar Dias, irmão de Álvaro, como candidato ao governo e Dallagnol saindo para o Senado. Nos bastidores, as conversas são intensas e interessadas. Oficialmente, Álvaro Dias se mostra mais contido. “Nunca conversei com Dallagnol sobre candidatura. Apenas discutimos a questão do foro privilegiado. Mas seria uma honra ter Dallagnol em nossos quadros”. 

A Rede, que tem uma estrutura mais modesta no Paraná, também tem feito essa aproximação. O senador Randolfe Rodrigues (AP) chegou a levar Dallagnol para um encontro com artistas, na casa de Caetano Veloso, no Rio. Oficialmente, não se falou em candidatura. Aliás, Randolfe disse que “isso nem sequer foi cogitado”. Segundo relatos, o encontro teria sido cordial. Além dos anfitriões (Caetano e Paula Lavigne), estavam presentes artistas como Marcelo Serrado e Christiane Torloni e a cantora Marisa Monte. 

Já a Rede do Paraná se anima com a hipótese de um procurador candidato. “Por respeito ao trabalho dele não estamos tratando do assunto, mas seria uma honra tê-lo na Rede”, afirmou a porta-voz da legenda, Valéria Cristina.

Quando falam de “futuro”, Podemos e Rede estão falando de março de 2018 – antes disso nenhum procurador vai assumir uma eventual candidatura. 

O PT do Paraná também tem se manifestado sobre a possibilidade de ver os procuradores da Lava Jatos participando de uma eleição. “Eu torço por isso. Seria uma forma de deixar desmascarar, o quanto o trabalho desses procuradores é político”, disse Doutor Rosinha, presidente do PT-PR.

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Gilberto Amendola e Pedro Venceslau
O Estado de S.Paulo
Editado por Política na Rede
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