quarta-feira, 27 de setembro de 2017

PF pede busca por originais de e-mails entregues por Odebrecht


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O delegado da Polícia Federal Dante Pegoraro Lemos pediu ao setor de análises da Operação Lava Jato, em Curitiba, que faça uma busca nos arquivos apreendidos os originais dos e-mails apresentados pelo empresário Marcelo Odebrecht que associam a doação de R$ 4 milhões para o Instituto Lula aos pagamentos de propinas da empresa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


O despacho do delegado, desta segunda-feira, 25, informa que a pesquisa nos acervos da Lava Jato é para “confirmar autenticidade” do material.

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O empreiteiro Marcelo Odebrecht apresentou à Lava Jato uma troca de e-mails entre ele e executivos do grupo sobre uma doação de R$ 4 milhões ao Instituto Lula vinculada à planilha de propinas ‘italiano’ – codinome usado pelos empresários para o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda/Casa Civil – Governos Lula e Dilma).





Além das mensagens, o empreiteiro entregou também à Polícia Federal quatro cópias de recibos de R$ 1 milhão, cada, referentes à doação.

Segundo Marcelo, os e-mails foram entregues em agosto deste ano, pois não haviam sido localizados na época em que fechou seu acordo e apresentou os anexos. As mensagens foram anexadas aos processos da Lava Jato na quinta-feira, 21.

“Italiano disse que o Japonês vai lhe procurar para um apoio formal ao inst de 4m (nao sabe se todo este ano, ou 2 este ano e 2 do outro). Vai sair de um saldo que o amigo de meu pai ainda tem comigo de 14 (coordenar com HS no que tange ao Credito) mas com MP no que tange ao discurso pois será formal”, afirmou Marcelo.

A mensagem foi enviada por Odebrecht em 26 de novembro de 2013, às 12h32, para os executivos Alexandrino Alencar e Hilberto Silva – chefe do Setor de Operações Estruturadas, o departamento de propinas da empreiteira. Todos são delatores da Lava Jato.

Em depoimento à PF, o empreiteiro explicou as siglas inseridas no e-mail. “Japonês corresponde a Paulo Okamotto; que a palavra “Inst.” corresponde ao Instituto Lula; que “4M” corresponde ao valor de R$ 4 milhões; que “HS” são as iniciais de Hilberto Silva; que “MP” deve corresponder ao responsável pela comunicação na construtora, já que tudo seria formal e teriam que ter um discurso para eventual esclarecimento público”, declarou.

Marcelo Odebrecht entregou à PF ainda uma e-mail enviado por ele somente a Hilberto Silva. Às 12h28, o empreiteiro disse. “Do saldo de 15M do amigo acertar com B: 500 + 500 para as próximas semanas.”

O executivo também explicou à PF esta mensagem. Segundo Odebrecht, ‘15M’ corresponde ao saldo da conta “amigo” naquela data.

“A palavra “amigo” se refere ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; que “B11 é a letra inicial de Branislav, assessor de Palocci, e àquele o colaborador se referiu; que “500 + 500” se referem aos valores de quinhentos mil mais quinhentos mil, total de R$ 1 milhãoque foi debitado na planilha italiano, lançado como Programa B 6 (Dez 2013) 1.000”, declarou Marcelo.

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COM A PALAVRA, O ADVOGADO CRISTIANO ZANIN MARTINS, QUE DEFENDE LULA

“A tentativa de criminalizar o recebimento de doações legais para o Instituto Lula, retratadas em recibos, parece ser a nova onda da perseguição da Lava Jato contra o ex-Presidente Lula. Lula não recebeu qualquer doação ilegal da Odebrecht ou de qualquer outra empresa. As doações questionadas não tiveram Lula como beneficiário, mas sim entidade sem fins lucrativos que não se confunde com o ex-Presidente”.

Cristiano Zanin Martins

COM A PALAVRA, O ADVOGADO FERNANDO FERNANDES, QUE DEFENDE PAULO OKAMOTTO

“Sobre pedido de esclarecimento quanto a supostos emails que Marcelo Odebrecht teria entregue a Polícia Federal vinculado doação de 4 milhões ao Instituto Lula em nome de “Italiano” em sua planilha, o advogado de Paulo Okamotto, Fernando Augusto Fernandes, informa que a defesa não teve acesso. No entanto não há qualquer relação de doações ao Instituto com qualquer propina. As ‘delações’ vão sendo moldadas às necessidades acusatórias e as formas com que vão construindo as mentiras processuais. Fosse diferente o fato já constaria de delações passadas. Paulo Okamotto já foi absolvido na única ação que respondeu.”

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Julia Affonso, Ricardo Brandt, Luiz Vassallo e Fausto Macedo
O Estado de S.Paulo
Editado por Política na Rede
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