terça-feira, 19 de setembro de 2017

'Sistema partidário no Brasil é a institucionalização da desonestidade', diz ministro do STF


Imagem: JP Araújo / Jornal da PUC
O ministro do Supremo Federal Tribunal (STF) Luís Roberto Barroso defendeu nesta terça-feira que o Congresso Nacional aprove ao menos a cláusula de barreira e o fim das coligações no âmbito da reforma política - as duas medidas já passaram no Senado e precisam ser aprovadas pela Câmara dos Deputados até 7 de outubro para valerem já nas eleições de 2018. Convidado para falar sobre "o momento institucional brasileiro" na abertura de uma conferência de empresas do setor de seguros, Barroso dedicou parte de seu discurso à reforma política.



- O sistema partidário hoje no Brasil, triste como seja, é a institucionalização da desonestidade. Os partidos vivem do acesso e da distribuição do fundo partidário, muitas vezes apropriado privadamente, os partidos têm dono, e da venda do tempo de TV. Todo mundo sabe disso, não é novidade. Precisamos mudar o sistema partidário. Já há proposta aprovada no Senado, para fim das coligações e cláusula de barreira, e é importante que isso passe. Mesmo que seja só para 2022, já é alguma melhora - defendeu o ministro, na abertura da 8ª Conseguro (Conferência de Seguros, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização).

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Barroso não quis dar entrevistas ao deixar o evento, nem abordou em sua fala temas da pauta dos próximos dias do STF, como a discussão sobre o aproveitamento das provas da delação dos executivos da JBS. Ao falar mais genericamente sobre o Brasil, o ministro criticou a predominância da economia sobre a educação no topo da agenda nacional.

- Quando saiu Dilma e entrou Temer, a preocupação geral era saber quem seria o ministro da Fazenda, o presidente do Banco Central, o do BNDES. Todo mundo queria os melhores nomes. E a Educação? Entrou no racha político. Nada pessoal contra o Democratas ou o ministro (Mendonça Filho). Não falo na (pessoa) física. Mas a educação deveria ser a prioridade mais básica do país, um projeto de longo prazo, ver o que deu certo pelo mundo e implantar um projeto de país a partir da educação aqui - disse Barroso, que em outro momento do discurso procurou reforçar seu distanciamento da política partidária.

- Pelo cargo que ocupo, devo zelar pelas instituições, mas não sou comentarista político. Ninguém sabe se gosto mais de Lula, de Dilma, de Temer, de Marina ou quem seja... A minha mulher não sabe em quem eu votei na última eleição presidencial, para que vejam como penso que deve se portar um juiz. Não existe corrupção de direita ou de esquerda. Não falo de política.

O STF deve analisar na sessão desta quarta-feira o que fazer com as provas surgidas na delação dos executivos da JBS, depois que o aparecimento de novos áudios do empresário Joesley Batista, e a suspeita de que o ex-procurador Marcelo Miller atuava ao mesmo tempo para a empresa e na Procuradoria-Geral da República (PGR) levaram o ex-procurador, Rodrigo Janot, a optar pela rescisão do acordo de delação.

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Miguel Caballero
O Globo
Editado por Política na Rede
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