quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Cunha e Funaro ficam frente a frente em audiência na Polícia Federal


Imagem: Reprodução / O Globo
O ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o corretor de valores Lúcio Funaro, apontado como operador do PMDB, estão frente a frente em audiência realizada na tarde desta quinta-feira (26) na Justiça Federal de Brasília.



Cunha e Funaro são réus no processo em que o ex-deputado e o ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) são acusados de participar de um esquema de corrupção na Caixa Econômica Federal para liberação de recursos do FI-FGTS, fundo de investimento estatal.

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Ao depor na audiência de hoje, o ex-vice presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Fábio Cleto afirmou que a aprovação de projetos de empresas pela Caixa sofria influência de Cunha e de Funaro. "Desde o início comecei sob orientação de Lúcio Funaro ou de Eduardo Cunha", disse.

Segundo Cleto, ele informava a Cunha e Funaro quais empresas tinham pedidos de financiamento e aguardava a resposta de Cunha ou Funaro sobre se deveria reter ou dar seguimento à aprovação do pedido. Segundo o delator, posteriormente ele era informado do valor de propina cobrado das empresas.

Apesar de os financiamentos serem decididos por 12 votos do conselho que deliberava sobre os investimentos, Cleto afirmou considerar que seu voto exercia influência sobre os demais, pelos argumentos técnicos que trazia.

"Não acredito que meu voto era o decisivo, mas acredito sim que tive influência dentro desse comitê", afirmou Cleto.

O delator disse desconhecer qualquer influência de Cunha e Funaro sobre os demais conselheiros. Ele também disse que o contato que mantinha com os empresários era "técnico" e não tratava do esquema de propina. "Sentava com eles para decidir detalhes técnicos da operação", disse.

Apontado como antigo operador do parlamentar, Funaro passou a acusador de Cunha, quando fechou acordo de colaboração premiada e relatou supostos fatos ilícitos praticados pelo peemedebista.
O ex-deputado passou então a atacar a veracidade da delação de Funaro, afirmando que ele relata fatos dos quais não participou.

Cunha também teria tentado negociar um acordo de delação, mas o processo não foi adiante.

Na audiência nesta quinta-feira, na 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, Cunha e Funaro estão sentados um de cada lado de uma mesa postada à frente do juiz Vallisney Oliveira, responsável pelo processo. Eles estão acompanhados por seus advogados.

A denúncia contra Cunha e Alves teve como base as investigações da Operação Sepsis. Segundo o MPF (Ministério Público Federal), entre os anos de 2011 e 2015, o então deputado Eduardo Cunha atuou em um esquema de cobrança de propina a empresas beneficiadas pela Caixa Econômica Federal e ao FI-FGTS.

O esquema teria contado com a participação de Fábio Cleto, ex-vice-presidente de Loterias da Caixa Econômica Federal que posteriormente assinou um acordo de delação premiada.

Além de Cleto, Cunha e Alves, também foram denunciados no processo o corretor Lúcio Funaro, apontado como operador do PMDB, e o empresário Alexandre Margotto.

Nesta quinta-feira deverão ser tomados os depoimentos de Cleto e Margotto. Na sexta-feira (26), serão ouvidos Funaro, Cunha e Henrique Alves.

Cleto, Funaro e Margotto, réus nesse processo, firmaram acordos de colaboração premiada com a Justiça.

Eduardo Cunha tem negado o envolvimento em qualquer prática ilegal. A defesa de Henrique Alves afirma que não há provas contra ele.

A defesa de Henrique Alves tem afirmado que não há provas contra ele.

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Felipe Amorim
UOL
Editado por Política na Rede
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