terça-feira, 31 de outubro de 2017

Funaro chama Joesley Batista de ladrão por não pagar propina acertada


Imagem: Lula Marques / Folhapress
O corretor Lúcio Bolonha Funaro, delator da Lava Jato, chamou o empresário Joesley Batista –dono da holding J&F, controladora da JBS– de "ladrão" por dar um "tombo" nele próprio, no ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e no ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) ao não pagar parte das propinas referentes investimentos da Caixa. Os quatro estão presos, acusados de desviar dinheiro em esquemas de corrupção.


Funaro depôs nesta terça-feira (31) como réu de ação penal que trata dos desvios no banco. Ele passou mais de três horas respondendo a perguntas da defesa de Cunha, também acusado na ação e presente à audiência.

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O corretor admitiu em sua colaboração que atuava como operador do PMDB, cobrando comissões de empresas para que a cúpula do banco, aparelhada politicamente, aprovasse investimentos bilionários.

Ele disse que Joesley tinha com ele e o grupo de Cunha um acerto para pagar 3% em todas as operações do banco em favor da J&F. Mas a comissão não foi depositada quando R$ 2,7 bilhões foram liberados para que a holding comprasse a Alpargatas, dona da marca Havaianas.

"Se ele fosse me pagar o que me roubou, porque ele é um ladrão, seriam R$ 81 milhões. Ele roubou de mim, do deputado Eduardo Cunha, do [ex-ministro] Geddel Vieira Lima, só de Alpargatas, seriam R$ 81 milhões", reclamou Funaro.

O corretor disse que a planilha de pagamentos ilícitos apresentada por Joesley em sua delação é "completamente furada". E se dispôs a apontar os supostos erros.

Funaro disse que consta como devedor no documento entregue à Procuradoria-Geral da República pelo dono da J&F, quando, segundo o corretor, ele teria a receber mais de R$ 41 milhões só em recursos lícitos.

"Se for calcular o ilícito, daria mais de R$ 120 milhões, porque ele deu um tombo em mim, no Geddel e no Eduardo Cunha nessa operação da Alpargatas", afirmou.

Funaro reclamou que Joesley corrigiu os valores no período em que já estava preso e até aplicou juros em recursos ilícitos.

O advogado de Cunha, Délio Lins e Silva, disse que as declarações ajudam seu cliente, uma vez que Funaro desqualificou planilhas que servem de prova contra o ex-deputado. O corretor também criticou os valores apresentados pelo ex-vice presidente da Caixa Fábio Cleto, outro delator do caso.

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Fábio Fabrini

Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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