segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Moro pede registro de visitantes de hospital onde recibos de Lula teriam sido assinados


Imagem: Pedro Ladeira /  Folhapress
O juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, deu prazo de cinco dias para que o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, diga quem visitou o engenheiro Glaucos da Costamarques durante sua internação, entre novembro e dezembro de 2015. Costamarques é réu ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma ação sobre um esquema de corrupção envolvendo oito contratos entre a empreiteira Odebrecht e a Petrobras.



Nesta segunda-feira (2), Moro atendeu pedido da defesa de Costamarques, que diz ter recebido uma visita de Roberto Teixeira, advogado de Lula e também réu no processo, durante sua internação. Teixeira teria informado, na ocasião, que o aluguel do apartamento vizinho ao em que vive Lula, de propriedade do engenheiro, seria pago.

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Costamarques também afirma que, durante sua internação, recebeu o contador João Muniz Leite, que atuaria com Teixeira. Nesse encontro, ele diz ter assinado, de uma única vez, todos os recibos da locação do apartamento entre fevereiro de 2011 e novembro de 2015.

O engenheiro diz que nunca recebeu os valores sobre o aluguel referentes a esse período, apenas de 2015 em diante. O contrato de locação estava no nome da ex-primeira-dama Marisa Letícia, que faleceu em fevereiro deste ano.

Costamarques seria um "laranja" usado pela Odebrecht para a aquisição do apartamento, segundo o MPF (Ministério Público Federal). Ele é primo do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente, condenado a nove e dez meses de prisão por Moro.

Na última segunda-feira (25), a defesa do ex-presidente Lula apresentou recibos de pagamentos do aluguel do imóvel, mas eles traziam datas inexistentes, erros de português e não englobavam todos os meses do período da locação.


Além do período de internação do engenheiro, Moro pede que o hospital informe se mantém registro dos visitantes do paciente, destacando se houve visitas de Teixeira e Leite.

A reportagem procura o contador em sua empresa desde a última sexta-feira (29), mas não obteve retorno até agora.

Interrogado por Moro em 19 de setembro, Teixeira confirmou que teve um encontro com Costamarques no hospital, mas diz que ele foi casual, negando a versão do engenheiro.

Ao UOL, o hospital disse, por meio de nota, que "é uma entidade que preza pela saúde e bem-estar e, por razões éticas, não fornece informações sobre seus pacientes". A assessoria diz que o hospital ainda não foi notificado sobre a decisão de Moro.

Na última quinta-feira (28), em função das polêmicas em torno da autenticidade dos recibos, a defesa do ex-presidente Lula sugeriu que os documentos fossem periciados. Os defensores do petista dizem que "a quitação outorgada pelos recibos de aluguéis é a prova mais plena de pagamento prevista em lei". "A defesa apresentou a prova com a segurança de que os documentos foram assinados pelo emissor dos recibos e também que são contemporâneos aos fatos. Quem assinou os recibos também reconhece ser o proprietário do imóvel, adquirido com recursos próprios e por meio de cheques administrativos", disse o advogado Cristiano Zanin Martins, que lidera a defesa de Lula, em nota.

Os defensores do ex-presidente ainda apontam que, "se houver questionamento de qualquer outra natureza, que seja feita uma perícia nos documentos, que certamente irá confirmar a idoneidade do material recolhido".

As outras partes do processo não fizeram o pedido por uma perícia dos recibos até agora.

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Nathan Lopes
UOL
Editado por Política na Rede 
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