domingo, 26 de novembro de 2017

Ex-secretário de Cabral tentou delação e ofereceu histórias envolvendo o STJ


Imagem: José Lucena / Futura Press
O ex-secretário da Casa Civil do Rio no governo de Sérgio Cabral, Régis Fichtner, procurou o grupo de trabalho da Lava Jato, em Brasília, para manifestar a intenção de negociar um acordo de delação premiada. 


A conversa aconteceu em junho, logo após Luiz Carlos Bezerra, apontado pelos procuradores como o carregador de malas de dinheiro da quadrilha de Cabral, ter dito que levou dinheiro vivo para o ex-secretário durante todo o governo. 

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Fichtner, que é advogado, foi sozinho conversar com os procuradores e abriu a possibilidade de contar casos sobre o Judiciário, inclusive histórias envolvendo o STJ (Superior Tribunal de Justiça). 

O ex-secretário foi preso na última quinta-feira (23) na Operação C'est fini. 

A prisão de Fichtner foi em decorrência da apuração que tinha Bezerra como alvo. Os investigadores vasculharam cadernos da contabilidade da quadrilha onde Bezerra detalhava os repasses e usava apelidos para identificar os destinatários. 

ALEMÃO 

Fichtner era identificado como "Alemão" ou "Gaúcho" na contabilidade do "carregador de mala" e teria sido o destinatário de repasses que somaram R$ 1,6 milhão. Bezerra foi o responsável por recolher e entregar dinheiro entre 2011 e 2016 a mando do ex-governador Sérgio Cabral, preso há um ano. 

As investigações também apontam suspeitas de fraudes no uso de precatórios para pagamentos de dívidas fiscais no Estado. 

Fichtner era o coordenador do chamado Refis estadual, que vigorou entre os anos de 2010 e 2012, no qual o Estado concedia isenção na multa e desconto nos juros sobre tributos em atraso. 

O pagamento poderia ser feito com depósito em dinheiro, ou através de precatórios –título emitido pela Justiça quando o Estado é condenado a pagar certa quantia. A lógica do encontro de contas é simples: o governo abre mão da dívida e, ao mesmo tempo, quita o precatório. 

Em 2014, a Folha revelou que o comércio de precatórios do Rio se intensificou em razão do programa e movimentou mais de R$ 1,7 bilhão. Até indenizações a parentes de pessoas mortas pela polícia do Rio foram usadas para pagar, com desconto, dívidas de empresas com o Estado. 

Fichtner era o único secretário do "núcleo" da gestão Cabral que não havia sido preso. O nome da Operação C'est fini é uma referência à festa em Paris em que Cabral e ex-secretários dançaram com guardanapos na cabeça. 

OUTRO LADO 

Procurada, a defesa de Regis Fichtner afirma que ele não esteve e nem está buscando acordo de delação. 

"Regis Fichtner nunca recebeu recursos indevidos ou vantagem financeira de quem quer que seja e sempre pautou sua vida pessoal e profissional pela ética e respeito às leis. Portanto, não tem absolutamente nada o que delatar", diz o comunicado. 

Sobre sua prisão, a defesa de Regis Fichtner informa que "se pronunciará oportunamente sobre as alegações que sustentaram o injustificável pedido de prisão preventiva de seu cliente".

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Wálter Nunes e Reynaldo Turollo Jr. 
Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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