sábado, 2 de dezembro de 2017

Almada entrega comprovantes de pagamentos de R$ 1 milhão da Engevix a empresas ligadas a Dirceu


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O ex-vice-presidente da Engevix, Gerson Almada, entregou ao juiz federal Sérgio Moro comprovantes de pagamentos no valor de R$ 1 milhão a empresas de comunicação, supostamente em benefício do ex-ministro José Dirceu. Trata-se de contratos que a construtora firmou com a Entrelinhas e a gráfica ‘VC’, nome fantasia de Márcia Cristina Maffei – ME. O magistrado retirou sigilo dos documentos nesta sexta-feira, 1.


Em suas confissões, o executivo afirmou ter ouvido de Milton Pascowitch sobre a existência de uma conta administrada em Madri, Espanha, em suposto benefício de Lula e José Dirceu, administrada pelo lobista. Ele apresentou comprovantes de pagamentos  que alega serem a Dirceu, mas diz não ter provas sobre a conta espanhola.

Gerson Almada resolveu confessar supostos crimes nos autos da denúncia do Ministério Público Federal sobre propinas de R$ 2,4 milhões das empreiteiras Engevix e UTC para o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil – Governo Lula). O petista teria recebido os valores durante e depois do julgamento do Mensalão – ação penal em que o petista foi condenado.

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A acusação da força-tarefa da Lava Jato foi ajuizada em 2 de maio e ainda não foi recebida por Moro. Gerson Almada pediu para falar antes de o magistrado decidir se coloca ou não os investigados no banco dos réus. Além do executivo e de Dirceu, são acusados Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, irmão do ex-ministro; João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT; e Walmir Pinheiro Santana, ex-executivo da UTC.

O empreiteiro, que compareceu espontaneamente à Polícia Federal no dia 4 de julho, admitiu que contratos no valor de R$ 900 mil entre a Engevix e a Entrelinhas Comunicação foram firmados de forma ‘simulada no intuito de justificar pagamentos sem causa lícita’.

Almada afirma que, ao lado de seu sócio Cristiano Kok ‘foram efetivadas as transferências , no período de 2011 a 2012’. Ele diz que ‘que mantinha uma ‘conta corrente’ desde o ano de 2005 com o operador financeiro Milton Pascowitch, a qual era utilizada com o objetivo de pagamentos de propinas agentes públicos políticos e partidos, dentre os quais especificamente, José Dirceu de Oliveira e Silva’.

“Milton afirmou que José Dirceu não tinha recursos para pagar a Entrelinhas e, por conta disso, Milton teria assumido a dívida e me repassou”, afirmou Almada.

Os contratos no valor de R$ 900 mil com a Entrelinhas já constavam em denúncia contra Dirceu e Almada.

O executivo, no entanto, quis acrescentar que ainda firmou termos com a gráfica ‘VC’ no valor de R$ 100 mil, também em benefício de Dirceu.

Almada afirma que da ‘mesma forma que se deu com a empresa Entrelinhas, ele foi procurado por Milton Pascowitch, o qual solicitou, mediante abatimento na conta corrente, o pagamento do valor referido em favor da pessoa jurídica Márcia Cristina Maffei ME, que seria empresa prestadora de serviços a José Dirceu’

Segundo Almada, por intermédio da Engevix, mediante emissão de nota fiscal pela pessoa Jurídica Marcia Cristina Maffei, efetuou transferência bancária de R$ 100 mil para conta daquela empresa; que o declarante sabia que o pagamento favoreceria José Dirceu’.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO CRISTIANO ZANIN MARTINS, QUE DEFENDE LULA

Essa é mais uma peça de ficção que integra o sistema de delações premiadas a “la carte” que vem se tornando uma marca da Operação Lava Jato. Para obter benefícios, réus confessos precisam se referir a pessoas pré-estabelecidas pelos integrantes da operação, em especial, o ex-Presidente Lula.

Lula jamais recebeu qualquer valor indevido da Engevix ou de qualquer outra empresa e empresário. O próprio depoente reconheceu que não tem qualquer prova contra Lula, deixando evidente que a referência ao nome do ex-Presidente foi artificialmente construída para manter a delação premiada já homologada pelo juiz Sérgio Moro.

Os segredos bancário e fiscal de Lula já foram quebrados pela Lava Jato e nenhum valor ilícito foi encontrado, confirmando que o ex-Presidente não recebeu vantagens indevidas antes, durante ou após exercer o cargo de Presidente da República.

Lula é vítima de “lawfare”, que consiste no mau uso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ROBERTO PODVAL, QUE DEFENDE DIRCEU

Vou ter acesso ao depoimento ainda, mas, se for verdade, a colaboração de Milton Pascowitch deve ser revista.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO THÉO DIAS, QUE DEFENDE PASCOWITCH

Nenhum sentido. Em seu próprio depoimento, Almada afirma não ter prova do que diz.

COM A PALAVRA, ENTRELINHAS

A reportagem está tentando contato com a Entrelinhas desde sexta-feira, 1. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, MAFFEI

A reportagem está tentando, sem sucesso, contato com os telefones presentes nas notas fiscais. O espaço está aberto para manifestação.

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Luiz Vassallo
O Estado de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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