quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

CPI da JBS aprova relatório com pedido de investigação de Janot


Imagem: Renato Costa / Agência O Globo
Os congressistas membros da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) da JBS aprovaram nesta quinta-feira (14) o relatório final apresentado pelo deputado federal e futuro ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (PMDB-MS), com pedido de investigação às condutas do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e seu ex-chefe de gabinete na PGR, Eduardo Pelella.



O parecer foi aprovado por 4 a 3. A expectativa era que o documento fosse aprovado, já que a maioria dos membros da comissão são governistas.

Na primeira versão do relatório entregue à comissão na terça (12), Marun havia pedido o indiciamento de Janot e Pelella, mas recuou no dia seguinte, após repercussões negativas e resistência às solicitações dentro da própria base aliada do presidente Michel Temer (PMDB). O futuro ministro responsável pela articulação política de Temer diz que "refletiu" e que não quer se assemelhar com aqueles que critica.

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No entanto, para que o parecer fosse aprovado, no início da reunião, Marun aceitou retirar do sub-relatório de Wadih Damous (PT-RJ) pedidos para a criação de uma nova CPMI para discutir a instituição de delações premiadas e para o indiciamento do ex-operador da Odebrecht, Rodrigo Tacla Durán.

"Na verdade, o relatório de uma CPMI tem de ser resultado não somente da visão do relator. Tem de ser o resultado do pensamento médio, ou majoritário. E na discussão o que se estabeleceu desde terça nós efetivamente avanços no sentido de que conseguíssemos um texto que pudesse ser aprovado", argumentou.

Ele chegou a prestar depoimento à comissão por meio de teleconferência porque vive na Espanha após ser preso e, em seguida, solto. A avaliação da oposição é de que um eventual indiciamento de Durán poderia atingir o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações da operação Lava Jato em primeira instância no Paraná.

Entre os motivos alegados por Marun para a mudança no texto na quarta estavam "manter a harmonia dos três Poderes", não "cometer o mesmo erro de açodamento" de quem critica, não causar desconfiança no MPF (Ministério Público Federal) e a "serenidade" da atual procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ao receber a notícia do então pedido de indiciamento.

"A materialidade [do pedido de indiciamento] precisa estar efetivamente comprovada. Nada foi contestado. No entanto, refleti sobre essas questões. Não fiz apenas uma análise jurídica, mas também comportamental. Em mantendo o indiciamento reconhecendo a materialidade, talvez estivesse cometendo o mesmo erro que foi cometido pelo senhor Janot e pelo senhor Pelella: o açodamento", declarou Marun. "Tenho dificuldade em parecer com aqueles que eu critico."

As pessoas a quem Marun sugere que Ministério Público Federal indicie são:

- o ex-procurador Marcelo Miller (sob suspeita de organização criminosa, obstrução às investigações, corrupção passiva, advocacia administrativa e improbidade administrativa);
- os irmãos Joesley e Wesley Batista – donos do grupo J&F, que controla o frigorífico JBS – (sob suspeita de corrupção ativa, uso indevido de informação privilegiada e manipulação do mercado);
- o ex-operador financeiro da JBS, Ricardo Saud (sob suspeita de corrupção ativa).



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Luciana Amaral

UOL
Editado por Política na Rede
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