sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Janot diz que Dodge e Segóvia estão desacelerando investigações de corrupção


Imagem: Adriano Machado / Reuters
O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e outras duas autoridades graduadas disseram que os novos encarregados da PGR e da Polícia Federal estão restringindo as investigações da operação Lava Jato.


Janot, que ocupou o cargo até setembro e segue no Ministério Público Federal, disse à Reuters nesta semana que o presidente Michel Temer, a quem ele denunciou duas vezes, nomeou o novo diretor da PF especificamente para desviar as investigações.

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Separadamente, duas autoridades responsáveis pelo cumprimento da lei, que pediram para não ser identificadas, disseram que Raquel Dodge, a substituta de Janot, instruiu alguns dos principais procuradores federais a se afastarem dos inquéritos sobre corrupção e a pararem de falar publicamente sobre os esforços de combate à corrupção.

“Segóvia veio para cumprir uma missão: de desviar o foco dessa investigação. Ao que me parece, pelas declarações que deu, ele tem a missão de desacreditar as investigações ou as investigações que envolvem essas altas autoridades da República brasileira. E nas investigações ele pode ter o efeito de atrapalhar sim”, disse Janot.

Uma porta-voz de Dodge disse que a nova procuradora-geral está combatendo vigorosamente a corrupção em várias frentes.

Fernando Segóvia, o novo diretor-geral da PF, afirmou que suas “declarações e atitudes sempre foram para fortalecer as investigações contra os crimes de desvio de recursos públicos e contra a corrupção no Brasil”.

”Em todos os meus pronunciamentos sempre deixei claro que iremos ampliar e fortalecer a operação Lava Jato. Não tenho nenhum tipo de ligação político-partidária com o PMDB ou qualquer outro partido político brasileiro. Meu único compromisso é com o Brasil e com a Polícia Federal”, acrescentou em e-mail enviado à Reuters.

Em comunicado, o Palácio do Planalto disse que o novo chefe da PF foi indicado após consultas com a corporação e criticou qualquer insinuação de que ele poderia atrapalhar as investigações.

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Brad Brooks
Reuters
Editado por Política na Rede
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