segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Lava-Jato apresenta 1ª denúncia por compra de refinaria de Pasadena - e não inclui Dilma


Imagem: Produção Ilustrativa / Política na Rede
A força-tarefa da Lava-Jato denunciou o ex-senador Delcídio do Amaral e mais dez pessoas por corrupção e lavagem de dinheiro em razão da compra da refinaria de Pasadena, no Texas, pela Petrobras, em 2005. Essa é a primeira vez na Lava-Jato que o contrato de Pasadena é alvo de denúncia.



De acordo com os procuradores, a empresa belga Astra Oil teria realizado pagamentos de US$ 17 milhões em propina a ex-funcionários da Petrobras e ao ex-senador petista. Segundo as investigações, a Petrobras pagou um valor à Astra Oil muito superior ao valor real da refinaria.

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No documento enviado ao juiz Sergio Moro, o Ministério Público Federal (MPF) afirmou que, em 2002, a Petrobras contratou uma empresa de consultoria para a análise detalhada das condições de diversas refinarias americanas.

"Ao final dos trabalhos, (a consultoria) apresentou à Petrobras, no ano de 2002, um ranking geral das refinarias, classificando-as com base nesses critérios técnicos detalhados. Nesse estudo técnico minucioso, dentre as 25 refinarias avaliadas, a de Pasadena foi classificada em 21º lugar, deixando bastante evidente que não se tratava de um bom negócio para a Petrobras", afirmaram os procuradores.

Além de Delcídio, foram denunciados os operadores financeiros Raul Davies, Jorge Davies e Gregório Marin Preciado, o ex-vice-presidente da Astra Oil, Alberto Feilhaber, e os ex-funcionários da estatal Luis Carlos Moreira, Carlos Roberto Martins Barbosa, Cezar de Souza Tavares, Rafael Mauro Comino, Agosthilde Monaco de Carvalho e Aurélio Oliveira Telles.

Em outubro, o Tribunal de Contas da União determinou o bloqueio dos bens da ex-presidente Dilma Rousseff em razão dos prejuízos na compra da refinaria. À época, Dilma era ministra da Casa Civil no primeiro mandato do governo Lula. Além da ex-presidente, o ex-ministro Antonio Palocci e o ex-presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, também tiveram os bens bloqueados.

PROPINA DE US$ 17 MILHÕES

A denúncia afirma que, em 2005, o executivo da Astra Oil, Alberto Feilhaber, combinou uma propina de US$ 15 milhões com Luis Moreira, que ocupava o cargo de gerente executivo da Diretoria Internacional da Petrobras. Em troca, a Astra Oil receberia vantagens no processo de compra de 50% da refinaria pela Petrobras.

Parte dos valores foi encaminhado ao então senador Delcídio do Amaral. Segundo a denúncia, Delcídio teria recebido US$ 1 milhão. Além disso, outro acerto, de US$ 2 milhões, foi feito entre a empresa e outros dois funcionários da Petrobras.

A denúncia conta, ainda, que nas conversas iniciais entre o executivo da Astra Oil e os funcionários da Petrobras, foi deixado claro o estado ruim de conservação da refinaria que, além disso, também não contava com a estrutura necessária para refinar o tipo de petróleo extraído pela Petrobras.

Para lavar o dinheiro da propina, os envolvidos utilizaram um contrato falso entre a Astra Oil e a empresa Iberbras Integración de Negocios y Tecnología, de propriedade de Gregório Marin Preciado. A empresa belga transferiu os valores para uma conta que a Iberbras mantinha na Espanha.

Delcídio do Amaral, de acordo com a força-tarefa, teria recebido sua propina em cinco entregas em espécie a uma pessoa indicada por ele.

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Dimitrius Dantas
O Globo
Editado por Política na Rede
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