quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

'Lamentavelmente, Lula se corrompeu', diz procurador no julgamento do ex-presidente


Imagem: Reprodução / Youtube
O procurador regional da República, Maurício Gotardo Gerum, declarou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "lamentavelmente se corrompeu" e deve ser tratado como todo cidadão. "Não é porque se trata de um ex-presidente da República que vamos aceitar apenas escritura assinada ou recibo de corrupção como prova", declarou o procurador sobre o caso do triplex do Guarujá. Ao finalizar sua fala, ele citou trecho do livro Crime e Castigo, dizendo que "numa República, todos os homens são de carne".



Acompanhe ao vivo o julgamento de Lula: 





Ao relembrar fatos da investigação do triplex, Gerum afirmou que Leo Pinheiro, empreiteiro e ex-presidente da OAS, teria ido pessoalmente apresentar o imóvel para Lula. "Causa estranheza que o presidente da OAS tenha sido corretor de imóveis junto a Lula", disse. Segundo ele, desde a primeira visita de Lula e da ex-primeira-dama Marisa Letícia ao apartamento, diversas reformas foram feitas. Além disso, ele considerou que as perícias demonstraram que o triplex estava reservado, pois nunca foi colocado à venda.

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Gerum afirmou ainda que a participação de Lula nos assuntos da Petrobras era "evidente" e que ele teria recomendado destruir provas que o relacionassem com os envolvidos no caso.

"Temos presidente que nomeia diretor de estatal e comanda esquema de empreiteiras." Ele declarou também que "não é novidade" para a 8ª Turma do TRF4 lidar com propina destinada a partidos da base aliada do governo. O TRF-4 julga recursos da Operação Lava Jato.

No início de sua fala, Gerum rebateu críticas de Lula e seus aliados, que afirmaram nas últimas semanas que o julgamento do caso triplex é "político" e que não há provas contra o petista. Gerum disse que o processo judicial não pode ser confundido com o processo parlamentar, onde há "tropas de choque" que se instalam para praticar "baixezas e vilanias" e representam "falta de maturidade democrática".

"Uma tropa de choque foi criada para perpetuar projeto político pessoal, que não admite outro resultado que não seja absolvição", afirmou, referindo-se diretamente ao caso de Lula. O procurador disse que frases como "o julgamento é político" e "não há provas" foram repetidas como mantra e que as declarações poderiam se aproximar ao crime de coação.

"Os desembargadores assumem cargo sem qualquer vínculo com partidos e políticos. A tentativa de associar esse julgamento a um julgamento político ofende não só a mim, mas àqueles que foram vítimas em processos políticos. É desrespeito", disse. Ele destacou que os membros da 8ª Turma possuem mais de 20 anos de atuação.

Ele ressaltou que, independentemente do resultado, a Justiça deve ser feita nos autos. "Se essa Corte absolver Lula, ou manter a condenação, a Justiça será feita. Não há justiça fora da ordem constitucional", declarou.

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Julia Lindner, Renan Truffi e Ricardo Brandt
Broadcast Político
Editado por  Política na Rede
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