terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Lobista diz que ex-Engevix mentiu sobre conta para Lula em Madrid


Imagem: Gabriela Bilo / Estadão
O lobista Milton Pascowitch afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que o ex-executivo da Engevix Gerson Almada mentiu ao atribuir uma conta na Espanha supostamente em benefício do ex-presidente Lula e do ex-ministro Jose Dirceu. O depoimento, prestado dez dias após o levantamento do sigilo das confissões de Almada, foi anexado aos autos de denúncia nesta segunda-feira, 8. A força-tarefa da Operação Lava Jato pediu ao juiz federal Sérgio Moro que as declarações do ex-vice-presidente da Engevix sejam investigadas. 


Em julho de 2017, Almada compareceu espontaneamente à Superintendência da PF em Curitiba para colaborar com as investigações. O depoimento teve o sigilo levantado em dezembro pelo juiz federal Sérgio Moro.

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Ele afirmou à Polícia Federal saber de uma suposta conta em Madri, na Espanha, administrada pelo lobista Milton Pascowitch, abastecida por propinas de contratos da Petrobrás, supostamente em benefício do ex-presidente Lula (PT) e do ex-ministro José Dirceu (PT). Ele ainda afirmou ter feito contratos dissimulados com o fim de pagar supostas vantagens indevidas a Dirceu – os documentos de corroboração foram entregues aos investigadores.

Em face das revelações de Almada, Pascowitch, que é delator da Lava Jato, prestou depoimento no dia 11 de dezembro. Ele afirmou à PF que ‘é manifestamente inverídica a afirmação feita por Gerson Almada de que administrava conta em Madrid para pessoas do PT, possivelmente em favor de Luís Inácio Lula da Silva e de Jose Dirceu’ e que, enquanto colaborador, ‘forneceu em seu acordo todos os extratos de suas contas fora do Brasil, as quais eram mantidas apenas nos Estados Unidos nos bancos UBS e Credit Suisse’.

Gerson Almada confessou ter firmado contratos dissimulados com a empresa de comunicação Entrelinhas com o fim de pagar propinas ao ex-ministro José Dirceu. Ele entregou documentos aos investigadores para corroborar com esta parte do depoimento.

A respeito dos papeis do ex-executivo da Engevix, Pascowitch afirmou que ‘não se recorda especificamente desse pedido, mas que era comum a solicitação por parte da JD Assessoria [Empresa do ex-ministro] para realização de pagamentos de serviços efetuados por terceiros, em razão da ausência de caixa para fazer frente aos seus contratos’.

O embate entre versões do executivo da Engevix, que passou a colaborar, e o delator Pascowitch, se deu nos autos da denúncia do Ministério Público Federal sobre propinas de R$ 2,4 milhões das empreiteiras Engevix e UTC para o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil – Governo Lula). O petista teria recebido os valores durante e depois do julgamento do Mensalão – ação penal em que o petista foi condenado.

A acusação da força-tarefa da Lava Jato foi ajuizada em 2 de maio e ainda não foi recebida por Moro. Gerson Almada pediu para falar antes de o magistrado decidir se coloca ou não os investigados no banco dos réus. Além do executivo e de Dirceu, são acusados Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, irmão do ex-ministro; João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT; e Walmir Pinheiro Santana, ex-executivo da UTC.

Pascowitch voltou a afirmar que ’em relação à licitação dos 8 cascos replicantes, foram pagos 0,5% para a Casa e 0,5% ao PT que viabilizaram as negociações e posterior assinatura do contrato’.

Segundo o lobista, ‘foi paga comissão à JAMP pelos trabalhos de assessoria desempenhados, desde a concepção do projeto até a fase de produção dos cascos e que, após aprovação de Gerson Almada, ficou acordado pagamento de R$ 14 milhões para João Vaccari, sendo R$ 10 milhões pagos em dinheiro e R$ 4 milhões por meio de doações oficiais ao partido’.JAMP é a consultoria de Pascowitch por meio da qual confessou que fazia pagamentos para agentes da Diretoria de Serviços da Petrobrás.

No entanto, Pascowitch voltou a reiterar que ‘os recursos eram destinados ao PT e em nenhum momento falou-se em pagamento a Lula ou José Dirceu’.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ROBERTO PODVAL, QUE DEFENDE DIRCEU

“O que se tira dessas delações são mentiras de ambas as partes. Cada qual tentando vender mais do que tem e ainda sair com lucro.”

COM A PALAVRA, ALMADA

“Por orientação do meu advogado, não irei comentar, pois eles creem que a investigação criminal irá aclarar a verdade”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO LUIZ FLÁVIO BORGES D’URSO, QUE DEFENDE VACCARI

“O Sr Vaccari jamais negociou ou recebeu qualquer valor de origem ilícita. Na verdade sendo ele o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, dirigiam-se a ele todos que pretendiam fazer doações ao partido e dele recebiam a orientação para que tais doações fossem na conta bancária do PT, expedindo-se o respectivo recibo e informado-se as autoridades competentes, tudo absolutamente legal. Fora disso nada é verdadeiro”.
Luiz Flávio Borges D’Urso – advogado do Vaccari.

COM A PALAVRA, LULA

A reportagem entrou em contato com a defesa do ex-presidente. O espaço está aberto para manifestação.

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Luiz Vassallo, Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo
O Estado de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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