quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

PM-SP vê falta de segurança e pede que MP proíba todos os atos na avenida Paulista no dia do julgamento de Lula


Imagem: Reprodução / G1|
A Polícia Militar vai pedir nesta quarta-feira (17) ao Ministério Público de São Paulo para que a avenida Paulista não receba atos pró ou contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no próximo dia 24, quando o petista terá seu recurso julgado no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), em Porto Alegre.



O pedido foi anunciado depois que órgãos de segurança e representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores), do MBL (Movimento Brasil Livre) e do grupo Revoltados Online não conseguiram chegar a um acordo sobre as manifestações programadas para o local. Toda manifestação na via precisa do aval prévio da PM.

O encontro, que foi fechado para a imprensa, aconteceu em um batalhão da polícia. Além dos movimentos e da central, participaram do encontro representantes da própria PM, da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

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Para a PM, não há "condições técnicas de segurança" para que os grupos, ideologicamente antagônicos, se reúnam no mesmo dia com as suas militâncias na avenida — que foi palco, em 2015 e 2016, de atos a favor e contra o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT).

De acordo com o capitão Marcelo Luís Ament Caron, que responde pela coordenação operacional do batalhão e das ações na avenida, nenhuma das partes concordou em fazer eventos em dias distintos. "Sabemos que ambos os lados são pacíficos e que ninguém quer confronto, mas isso [grupos opositores na mesma via] acaba repercutindo na segurança de todo mundo", disse o capitão.

O grupo Revoltados Online também não concordou em alterar o horário da manifestação — das 10h para as 20h, em frente ao vão do Masp. No dia 18 de dezembro, o grupo e o MBL protocolaram pedido para a realização do evento, segundo a PM. Como o ofício da CUT é posterior, de 8 de janeiro, a preferência de escolha seria dos primeiros. A central sindical prevê que a manifestação ocorra a partir das 17h, em frente ao prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na avenida Paulista.

"Como há concomitância de local e horário de atos de grupos antagônicos, tentamos reduzir o horário do Revoltados e postergar o início do da CUT, mas o grupo não aceitou. Isso cria um problema de segurança, então enviaremos um parecer técnico ao MP para que não haja esses atos na Paulista", afirmou o capitão Caron.

A PM também descartou a possibilidade fechar a Paulista, mesmo com manifestações. "Ficou acordado que a avenida não será fechada, a PM não vai deixar. Se isso acontecer, vamos intervir", afirmou Caron. 

O representante do MBL na reunião, Ian Garcez, disse que "não houve impasse algum" e deixou o batalhão, sem mais detalhes.

O fundador do Revoltados Online, Marcello Reis, argumentou que "não tem acordo com a CUT, eles só querem atrapalhar".

"Das últimas vezes em que tentamos acordo com a CUT, eles não cumpriram; também estamos preocupados com as pessoas que vão participar. Já rasgaram Pixuleco [o boneco em alusão à versão presidiária de Lula] nosso em outros atos e vamos levar o boneco de novo para a Paulista", disse.

Não temos plano B, diz presidente da CUT-SP

Pela CUT, o presidente da entidade em São Paulo, Douglas Izzo, afirmou que a central cedeu em ao menos quatro pontos na tentativa de negociação — da desistência por uma vigília do dia 23 para o dia 24 aos horários de início do ato, no dia do julgamento.

"Discutimos à exaustão e jogamos o horário do nosso ato para as 18 e as 19h, como a PM chegou a sugerir, mas o lado de lá não cedeu, lamentavelmente. Isso é um absurdo", avaliou. "Apresentamos depois o pedido à PM, mas estimamos um público de ao menos 50 mil pessoas. O Revoltados nem isso mensurou no pedido deles", completou.

O dirigente afirmou ainda que não há um plano B para o caso de a Paulista ser vetada aos manifestantes pró-Lula. "Discutiremos isso hoje com as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que agregam as cerca de 100 entidades que concentrarão os atos na capital paulista. Izzo admitiu o convite a Lula, mas não confirmou a presença do ex-presidente no ato.

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Janaína Garcia
UOL
Editado por Política na Rede
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