terça-feira, 9 de janeiro de 2018

PT processa Globo, Huck e Faustão na Justiça Eleitoral por 'abuso de poder econômico'


Imagem: Reprodução / TV Globo
Apesar de negar que vá disputar a Presidência nas eleições deste ano, o apresentador da TV Globo Luciano Huck tornou-se alvo de um processo do PT na Justiça Eleitoral nesta segunda-feira (8). O partido alega que Huck cometeu e se beneficiou de abuso de poder econômico e dos meios de comunicação durante sua participação no "Domingão do Faustão", neste domingo (7).



A TV Globo e Fausto Silva, apresentador do "Domingão", também são alvos da representação, assinada pelos líderes do PT na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), e no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ). Eles pedem a inelegibilidade de Huck ou a cassação do seu eventual registro de candidatura, além de pagamento de multa por parte dos apresentadores e da Globo.

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Lula, o candidato do partido, condenado por corrupção, já disse, ao comentar uma eventual candidatura de Huck, querer "disputar com alguém com o logotipo do Globo na testa". 

Exaltação "subliminar" de Huck

Para os petistas, o que se viu durante a entrevista do apresentador "foi a demonização da atual política, dos políticos, dos pré-candidatos ao cargo presidencial, e de forma subliminar, a exaltação da pré-candidatura de Luciano Huck, como sendo algo de novo capaz de mudar a realidade vigente e trazer a 'felicidade' esperada pelo sofrido povo brasileiro."

A representação diz ainda que Faustão e Huck "discorreram acerca da necessidade dos brasileiros darem espaço para uma candidatura nova (a dele, Luciano Huck)", e que o apresentador usou "uma estrutura midiática que nenhum outro pré-candidato terá acesso, causando interferência antecipada na lisura e na igualdade da disputa presidencial que se avizinha."

Segundo definição disponível no site do TSE, o abuso do poder econômico em eleições é "a utilização excessiva, antes ou durante a campanha eleitoral, de recursos financeiros ou patrimoniais buscando beneficiar candidato, partido ou coligação, afetando, assim, a normalidade e a legitimidade das eleições."

"Por uso do poder econômico entende-se o emprego de dinheiro mediante as mais diversas técnicas, que vão desde a ajuda financeira, pura e simples, a partidos e candidatos, até a manipulação da opinião pública, da vontade dos eleitores, por meio da propaganda política subliminar, com a aparência de propaganda meramente comercial", diz o site do tribunal.

O UOL procurou a assessoria de imprensa da Globo para saber se a emissora, Huck e Faustão comentariam o processo aberto pelo PT, mas não recebeu resposta até o horário da última atualização deste texto.

Nem candidato, nem "salvador da pátria"

Ao lado da mulher, a também apresentadora da TV Globo Angélica, Luciano Huck voltou a negar sua candidatura presidencial neste ano. Ele disse que atuará no recrutamento de novos candidatos -- o apresentador chegou a citar sua participação nos movimentos Agora! e Renova Brasil, voltados para a formação de novas lideranças políticas.

"Minha missão esse ano é tentar motivar as pessoas a que votem com muita consciência e que a gente traga os amigos que estão a fim para ocupar a política, senão não vai ter solução. Eu nunca, jamais, vou ser o salvador da Pátria, e o que vai acontecer na minha vida eu também não sei", disse Huck. "Neste momento, ainda acho que meu papel com esse microfone na mão e aqui na Globo, e motivando as pessoas, pode ser até mais importante do que estar lá."

Na entrevista, o apresentador disse que a sociedade está "envergonhada da classe política" e que é necessário aproveitar "essa fratura exposta que aconteceu no Brasil nos últimos dois anos, de derretimento da classe política para reocupar esse espaço, ressignificar as coisas e tentar de fato botar um pouco de ética."

Huck também deu sua visão sobre o que precisa ser feito para o país melhorar. Segundo ele, "pequenos deslizes do dia a dia, que a gente chama de 'jeitinho brasileiro', estão na raiz da corrupção endêmica que temos lá na frente". O apresentador defendeu ainda que "não dá para falar em meritocracia no Brasil quando a oportunidades são diferentes. O único jeito de igualar para todo mundo é a educação ser boa para todos".

Em texto publicado pela "Folha de S. Paulo" em novembro, Huck já havia dito que não seria candidato a presidente. Apesar da negativa, o apresentador teria pedido ao Ibope para que seu nome não fosse retirado das pesquisas de intenção de voto, e continuaria sendo assediado por partidos políticos, como o PPS.

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Bernardo Barbosa

UOL
Editado por Política na Rede
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