domingo, 18 de fevereiro de 2018

BNDES paga salários nababescos a seus diretores e distribui benesses a funcionários


Imagem: Lucas Tavares / Agência O Globo
Entre os cinco bancos estatais federais, o BNDES é a instituição que paga a maior remuneração aos seus diretores. Dados obtidos pela Folha de S. Paulo por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que o salário fixo da diretoria do banco é R$ 80.110,10, e o do presidente, R$ 87,4 mil.





Quando se soma a esse valor a remuneração variável, que depende de metas alcançadas, a renda média por mês é equivalente a R$ 105 mil, valor referente a 2016, último dado disponibilizado pelo banco. Segundo o BNDES, os executivos não tiveram aumento de salário em 2017.

A diretoria também recebe auxílio-alimentação, de R$ 1.613,49, e tem direito a auxílio-moradia, de R$ 1.800 --neste último caso, dois diretores, que não têm residência na cidade, segundo o banco, recebem o benefício.

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Os valores, apesar de serem menores do que os dos bancos privados, superam a remuneração das demais instituições financeiras federais.

No Banco do Brasil, por exemplo, essa conta, se forem incluídos pagamento de bônus baseados em ações e remuneração variável, é equivalente a R$ 87,4 mil mensais. Na Caixa, o valor dos salários mais o da remuneração variável é de cerca de R$ 60 mil.

Já os valores provisionados em 2016 pelo Banco da Amazônia e pelo Banco do Nordeste por diretor foram de, respectivamente, R$ 57,4 mil e R$ 78,9 mil por mês, em média, de acordo com informações prestadas à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

A remuneração de funcionários das estatais é tema delicado, segundo especialistas em gestão, já que, se por um lado são instituições públicas, por outro precisam atrair profissionais qualificados.

"É preciso lembrar que as estatais não estão sujeitas à mesma pressão do setor privado", diz Sandro Cabral, professor do Insper. "Por outro lado, essas empresas precisam atrair bons profissionais."

BANCOS PRIVADOS

Os altos salários e bônus pagos pelos bancos privados a suas diretorias é um dos principais argumentos do BNDES para justificar a remuneração dos seus dirigentes.

No Bradesco, o salário médio da diretoria superou os R$ 140 mil em 2016. No Itaú, foi de R$ 84 mil. Esses valores chegam ao equivalente a R$ 280 mil e R$ 364 mil mensais, nessa ordem, quando se consideram benefícios como bônus e participações no lucro.

"A remuneração total que pagamos aos nossos dirigentes é a menor entre todos os bancos", afirma Henrique Rogério Lopes, superintendente das áreas de administração e RH do BNDES.

Segundo ele, o pagamento da remuneração variável é feito em quatro parcelas e totalmente quitado somente após três anos. "Se em determinado exercício o resultado não é positivo, não é pago."

O BNDES afirma ainda que o valor pago aos seus diretores é o maior entre os bancos estatais porque ele dispõe de apenas nove executivos no alto escalão. Respectivamente, BB e Caixa têm 39 e 33 membros na diretoria. A responsabilidade dos executivos, segundo o BNDES, é maior.

"As estruturas do BB e da Caixa são muito maiores, portanto é claro que esses bancos precisam de um número maior de diretores", diz Cabral.

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FUNCIONÁRIOS

PLR (participação nos lucros e resultados) de 3,7 salários por ano, gratificação de 25% sobre a remuneração fixa mensal e um adicional por exercício de função que pode chegar a R$ 14 mil.

Esses são alguns dos benefícios pagos pelo BNDES aos seus funcionários.

No ano passado, a média da remuneração da instituição foi de R$ 25,6 mil, segundo balanço do banco. O gasto com pessoal chegou a R$ 1,9 bilhão.

Em agosto de 2017, o TCU (Tribunal de Contas da União) iniciou uma auditoria nos salários de estatais federais.

Na época, o ministro Walton Alencar Rodrigues disse, em comunicado que oficializou a varredura, que os valores pagos pelo BNDES aos funcionários em geral "fariam corar qualquer pessoa dotada de bom senso".

Todos ganham a gratificação mensal. "Esse é um valor que já se caracterizou como parte do salário e, portanto, não pode ser retirado", diz Henrique Rogério Lopes, superintendente de administração e RH do banco.

Além de seguro médico e odontológico e auxílio-alimentação (R$ 1.300), os funcionários com filhos recebem auxílio-creche (R$ 1.300) e salário-educação para ensino fundamental (R$ 1.100).

Quem exerce funções de superintendência ou gerência ganha gratificação de função que varia de R$ 5.000 a R$ 14 mil. Já a gratificação das chamadas funções comissionadas, como a de secretário de diretores, caixas ou analistas de cadastro, varia de R$ 1.700 a R$ 5.000 por mês.

O plano de cargos e salários prevê para funcionários em missões o pagamento de "passagem para o empregado, sua família e um serviçal" --expressão que consta da página do banco na internet.

O BNDES afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que o texto está desatualizado e não concede passagem para empregado doméstico.

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Maeli Prado
Folha de S.Paulo
Editado por Política na Rede
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