sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Congresso gasta R$ 5 milhões por ano para manter 74 ascensoristas


Imagem: Bernardo Caram / G1
A um custo anual que ultrapassa R$ 5 milhões, o Congresso Nacional garante que, na maior parte do dia, parlamentares, servidores e visitantes não precisem apertar os botões dos elevadores que funcionam na Casa. No controle da movimentação entre os andares, trabalham 74 ascensoristas, profissão cada vez mais incomum no Brasil e no mundo.


De acordo com dados do Ministério do Trabalho, o número de ascensoristas no país caiu 35% entre 2010 e 2016 - último levantamento disponível, que aponta 10,8 mil pessoas nessa profissão. Isso significa que, a cada 109 ascensoristas no país, um trabalha dentro do Congresso.

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O contrato assinado pela Câmara detalha as atribuições dos ascensoristas. Entre as quais, "operar o elevador", "atender com presteza às chamadas em quaisquer andares dos edifícios", "tratar os passageiros com urbanidade e polidez" e "manter a orientação de 'proibido fumar'".

No edital para a contratação dos trabalhadores terceirizados, a Câmara justificou que a interrupção dos serviços "certamente influenciará negativamente na qualidade das atividades desenvolvidas" na Casa.

Somente na Câmara, trabalham 50 ascensoristas, em 20 elevadores. O custo anual é de aproximadamente R$ 3,7 milhões. Os salários são de R$ 1,7 mil para uma carga diária de seis horas, além de vale transporte, assistência médica e odontológica e auxílio alimentação de R$ 27,50 por dia.

Após ser questionado pelo G1, o primeiro-secretário da Câmara, Giacobo (PR-PR), anunciou que fará um teste para a retirada dos ascensoristas de parte dos elevadores da Casa. Se o experimento for bem sucedido, disse, esses funcionários serão dispensados.

No Senado, são 24 ascensoristas para 12 elevadores. Os salários são um pouco mais baixos que os da Câmara, de aproximadamente R$ 1,5 mil mais benefícios. Nesse caso, o custo fica em cerca de R$ 1,3 milhão por ano.

Os serviços nas duas Casas são oferecidos pela mesma empresa, a C&P Soluções em Telemarketing. Além dos ascensoristas, o sobe e desce entre os andares também é controlado por 8 telefonistas de fluxo de elevadores, 7 recepcionistas de fluxo de pessoas, 2 controladores de tráfego e um encarregado geral. Os salários variam de R$ 1,9 mil a R$ 5,9 mil.

'Automatização'

Em entrevista ao G1 na sexta-feira (2), Giacobo – responsável pelo controle dos gastos da Casa – disse, primeiramente, que encomendou um estudo para "automatizar" parte dos elevadores, mas ponderou que o serviço seria muito caro.

O deputado explicou que, com a mudança, bastaria que a pessoa entrasse no elevador e apertasse o número do andar para que ela fosse levada ao destino. Questionado sobre o fato de a função já estar disponível em elevadores em geral, inclusive nos da Câmara, ele alterou o foco da resposta.

"O ascensorista é mais para controlar o fluxo", disse. Para ele, como há elevadores de uso exclusivo dos deputados, a ausência dos ascensoristas dificultaria o controle.

Teste

Menos de uma semana após os questionamentos do G1, a assessoria do deputado informou que, em março, será feito um teste na Casa.

Os ascensoristas dos elevadores destinados a servidores e visitantes no anexo quatro, onde ficam os gabinetes dos deputados, serão colocados em férias coletivas.

Se não houver problemas no fluxo desses elevadores ao longo desse mês, a Câmara vai dispensar esses ascensoristas, informou a equipe do deputado.

O secretário não detalhou como seria feito o desligamento desses funcionários, já que o número de ascensoristas e o valor pago está previsto em um contrato assinado pela Câmara com a C&P Soluções em Telemarketing que vence somente em 18 de maio deste ano.


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Bernardo Caram
G1
Editado por Política na Rede
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