domingo, 11 de fevereiro de 2018

Eike Batista diz que pode concorrer ao Senado


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Em entrevista ao jornalista Ascânio Seleme, do jornal O Globo, o empresário Eike Batista revelou que pode se candidatar ao Senado. Segundo o jornalista, Eike "não conseguiu esconder entusiasmo com a ideia. Não por palavras, mas o brilho nos olhos era visível".


Quais são seus planos agora?Quem sabe alguma coisa na política.
Vai se candidatar? Quer ser deputado?Não, senador. Estou estudando isso. Vamos avaliar. Estou conversando com partidos. Já me procuraram, mas eu prefiro não comentar por ora. Tem muita gente que acha que eu posso contribuir. Não tenho nenhum impedimento judicial. Nâão fui sequer julgado em primeira instância (A Lei da Ficha Limpa barra candidaturas de condenados em 2ª instância).
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Você está buscando foro privilegiado?Não. Eu quero ajudar. Eu preciso me reinventar. Hoje, sou provavelmente a maior fake news do mundo. Ninguém sabe o que eu fiz pelo Brasil. Vou mostrar o que eu já fiz. Eu trouxe para o Brasil US$ 40 bilhões em investimentos. Eu vou ajudar a não deixar projetos desnecessários serem construídos.
Você vai parar de trabalhar, seus negócios?Não vou parar de trabalhar. Blairo Maggi está lá. Ele toca os negócios e a política. Acabou de comprar as fazendas do Olacyr de Moraes.
Como está sua delação? Ela foi recusada?A procuradora Raquel Dodge não viu elementos na minha "reserva de memória" para fazer uma delação. De qualquer forma, como empresário não tenho o que dizer.
Quanto dinheiro você perdeu?Todos os meus ativos foram levados para saldar as contas depois da corrida bancária contra mim. Eu tinha US$ 34 bilhões. Agora, estou virando consultor. Posso ganhar muito dinheiro com isso. Vai ser a Eike Batista Consulting. Como não tenho capital, eu posso entrar com suor e o cara me dá um pedaço do negócio. Sempre soube que eu poderia pintar novos quadros.
Você já está fazendo contatos?Eles é que me procuram. As pessoas querem saber minha visão de Brasil, de mundo, minha visão de energia. Em março agora vou receber 30 estudantes de Stanford que querem me ouvir. Estão vindo porque na cultura dos americanos, fracasso é considerado um aprendizado. E hoje, modéstia à parte, eu sou um empresário melhor ainda.
E negócios, você vai abrir novos negócios?Não. Eu estou ajudando pessoas a montar coisas. Porque meu dinheiro hoje é de segurança, não tenho os recursos que eu tinha lá atrás. E, você vai rir de mim agora, lendo o livro The Originals, do Adam Grant, percebi que eu sou um "original", que é um executivo empreendedor que não gosta de risco.
Você deu dinheiro a Sérgio Cabral?Dei dinheiro via campanha para ele. Mas sem contrapartida. O Açu eu fiz sozinho com capital próprio e de estrangeiros. Ele não tinha nada para me dar. Nem redução de impostos, já que o Norte Fluminense tem uma regra fiscal própria, porque o IDH de lá é parecido com o do Nordeste do Brasil e os impostos já são mais baixos. Sérgio Cabral era um pidão. Depois que aconteceu aquele acidente horroroso na Bahia, eu disse que jamais emprestaria avião meu para políticos outra vez. Nunca mais emprestei. (Em junho de 2011, Cabral viajou para Porto Seguro num avião de Eike. De lá, um grupo que estava com ele embarcou num helicóptero para Trancoso, que caiu deixando três mortos)
E sua relação com o BNDES? Você pegou muito dinheiro no BNDES?No total dos projetos, foram R$ 3 bilhões no Açu, talvez R$ 10 bilhões na Termelétrica do Nordeste, tudo lastreado, com contratos de 20 anos. Neste projeto, o BNDES representou 50% do investimento total, no Açu foi uma fração. E no Porto do Sudeste, outros R$ 3 bilhões. Mas isso tudo num contexto de R$ 120 bilhões de investimentos. O BNDES deveria ter participado com muito mais.
Foi muito dinheiro, não dá para negar.No contexto de R$ 120 bilhões não é muito dinheiro.
Eu acho que é. São cerca de 15% do total.O BNDES não perdeu nenhum centavo. Os novos sócios assumiram todas as dívidas. Veja isso, o projeto de energia tem recebíveis do governo, do sistema elétrico, de uns R$ 50 bilhões. O Açu ficou com um fundo gigante americano. O Sudeste ficou com o Fundo Soberano de Abu Dhabi. E a termelétrica com a família Moreira Salles. Mamma mia.
O BNDES não foi muito bondoso com você? Não fugiu do padrão dele?Meu Deus. Se eu fosse para comprar um frigorífico, estaria totalmente fora. Eu estava totalmente enquadrado no padrão de financiamentos do BNDES, com projetos estruturantes. Ainda me fizeram pagar 1,5% de seguro para os bancos. Se não fossem nossos projetos de energia, tinha apagão no Nordeste. Nossa usina gera lá 30 mil MW/h, ou 30% de Itaipu. E ainda dei o meu aval pessoal. Não tenho certeza, mas acho que os Batista não deram o aval pessoal. O brasileiro não dá aval pessoal. Significa confiança no projeto, porque, se ele afundar, seu patrimônio vai junto. Foi o que aconteceu comigo. O projeto do porto do Açu é tão importante que o governo deveria ter entrado, ajudado e mantido o negócio na mão de brasileiros. Hoje, isso é 100% estrangeiro.

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