quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

PT também tinha conta de propina com o Grupo Schahin, revela delator


Imagem: Jorge William / Agência O Globo
O Grupo Schahin também manteve uma conta corrente de propina com o PT, intermediada pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Segundo depoimento de delação premiada de Milton Schahin, os pagamentos ao PT começaram em 2006, com o repasse de R$ 500 mil para a campanha de reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio de caixa 2, e, quando os negócios do grupo com a Petrobras cresceram, foi criado um caixa apenas para atender as solicitações de Vaccari, que trimestralmente ia ao escritório do empresário, na Rua Vergueiro, em São Paulo, para retirar valores em espécie e fazer o encontro de contas.


Parte dos anexos da delação de Milton foram juntados, nesta quarta-feira, ao processo que Lula responde na Lava-Jato por obras executadas no sítio de Atibaia pelas construtoras Odebrecht, OAS e Schahin. O empresário foi ouvido nesta tarde pelo juiz Sergio Moro como testemunha de acusação contra o ex-presidente.

O sítio não está em nome do ex-presidente. No cartório de registro de imóveis, a propriedade é formada por duas escrituras independentes em nome de Fernando Bittar e Jonas Suassuna Filho. Lula frequentou assiduamente o sítio a partir de 2011, quando deixou a presidência, e diz que o local era emprestado por Bittar, devido à amizade dele com o sindicalista Jacó Bittar, pai de Fernando.

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GRUPO PAGOU PROPINA MILIONÁRIA

Ainda de acordo com a delação do empresário, o Grupo Schahin pagou propina de 0,5% a 1% relacionada a contratos da Petrobras que somaram R$ 830 milhões. Cálculo feito pelo GLOBO indica que os valores ilícitos repassados ao partido foram de, pelo menos, R$ 4 milhões.

Milton afirmou ainda na colaboração que Vaccari recomendou que os pagamentos de propina fossem feitos para que a empresa mantivesse bom relacionamento com o governo federal e com a Petrobras.

Além dos pagamentos em dinheiro, que eram retirados pelo ex-tesoureiro do PT, segundo o delator, Vaccari também pedia que o Grupo Schahin fizesse depósitos a terceiros. Milton Schahin relacionou pagamentos às empresas CRLS Consultoria e Eventos, Oliveira Romano Sociedade de Advogados, Trajano e Silva Advogados e Vox Populi.

Segundo ele, Vaccari recomendou que fossem feitos contratos fictícios e fossem emitidas notas fiscais para justificar os valores pagos a terceiros. Mas Schahin disse que alguns desses pagamentos acabaram feitos mesmo sem contratos falsos, apenas com a emissão de notas fiscais frias, que discriminavam serviços que não foram efetivamente prestados.

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A CRLS pertence a Carlos Cortegoso, que já admitiu ter recebido repasses de dinheiro da Consist, que prestou serviços de banco de dados de servidores federais, sob supervisão do Ministério do Planejamento. Cortegoso é também o dono da Focal Confecções e Comunicação Visual, que foi a segunda maior fornecedora da campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff, em 2014.

Schahin disse que os valores pagos a essas empresas eram descontados do montante total que deveria ser destinado ao PT, como contrapartida pelas obras realizadas pela Schahin na Petrobras.

A defesa do ex-presidente Lula nega que tenha sido beneficiado com propinas da Petrobras e afirma que ele é vítima de perseguição política. O processo relativo ao sítio de Atibaia é um dos três abertos contra Lula pela força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba. O primeiro deles, relacionado ao tríplex do Guarujá, já foi julgado em segunda instância e Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão. O outro é relacionado a supostas vantagens pagas pela Odebrecht com a compra de um prédio para o Instituto Lula, que nunca foi usado, e uma cobertura vizinha à de Lula em São Bernardo do Campo. A defesa de Lula diz que ele alugava o apartamento, que está em nome de Glaucos Costamarques - este, por sua vez, disse à Justiça que nunca recebeu nada e que apenas assinou recibos a pedido do advogado do ex-presidente.

O acordo de colaboração do empresário Milton Schahin com a força-tarefa da Lava-Jato foi fechado em fevereiro de 2017.

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Cleide Carvalho e Gustavo Schmitt

O Globo
Editado por Política na Rede
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