sexta-feira, 2 de março de 2018

Cabral é condenado pela 5ª vez, e penas já somam 100 anos


Imagem: Giuliano Gomes / PR Press
O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) foi condenado pela quinta vez nesta sexta-feira (2) por lavagem de dinheiro através da compra de joias na H.Stern. Com a condenação de 13 anos e quatro meses de prisão determinada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, as penas contra Cabral chegam a 100 anos.

Cabral responde a 21 processos na Justiça. Ele já foi condenado a 87 anos de prisão em quatro ações, uma julgada pelo juiz Sérgio Moro, responsável pelos casos da Lava Jato em Curitiba, e as outras por Bretas:
  • 45 anos e dois meses - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa
Acusado de liderar uma organização criminosa e cobrar 5% propina (taxa de oxigênio) sobre o valor das obras do Estado.
  • 15 anoslavagem de dinheiro
Acusado de receber propina do empresário Eike Batista.
  • 14 anos e dois meses - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Acusado de receber propinas nas obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Estado do Rio).
  • 13 anos - lavagem de dinheiro
Acusado de lavar dinheiro com a compra de carros e imóveis.

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Além do ex-governador, também foram condenados a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo, Carlos Miranda e Luiz Carlos Bezerra, ambos apontados como principais operadores financeiros do ex-governador. 

Adriana, em prisão domiciliar desde dezembro, foi condenada a dez anos e oito meses de prisão. É a terceira condenação dela. Suas penas somam 37 anos e 11 meses.

Já Miranda e Bezerra foram condenados a oito anos e dez meses e quatro anos de prisão, respectivamente.

Delator na Lava Jato, Miranda negociou com a força-tarefa uma pena total de 20 anos em troca de informações -- com a sentença desta sexta, sua pena chega formalmente a 71 anos de prisão.

Na sentença, Bretas afirma que fica claro que o ex-governador é o "principal idealizador do audaz esquema de lavagem de dinheiro".

"A magnitude de tal esquema impressiona, sobretudo pela quantidade de dinheiro movimentado. Especificamente no caso dos autos, foram "lavados" mais de quatro milhões de reais em apenas 5 operações de compra de joias", escreve o juiz.

O Ministério Público Federal acusou Cabral de ter ocultado R$ 4,5 milhões, recebidos como propina, por meio da compra de joias na joalheria H.Stern. Foram citados: três brincos de ouro; um anel de ouro; e um conjunto composto de pulseira, brinco e anel, todos de ouro e com diamantes e rubi.

Procurada pela reportagem, a defesa do ex-governador disse que irá recorrer da decisão e pedir a suspeição de Bretas.

"É apenas mais um capítulo da sentença que já foi proferida no processo originário. Na sentença anterior, o próprio juiz reconheceu que tem Sergio Cabral como culpado de todos os fatos que lhe são imputados nos processos em curso na 7ª Vara Federal do Rio", afirmou o advogado Rodrigo Roca.

"A defesa irá recorrer da condenação e impetrará um habeas corpus para que o referido Juiz seja impedido de sentenciar nos feitos que envolvem o nome do ex-governador. Ademais, a própria ideia de quem alguém possa lavar dinheiro através de joias é, por si, insustentável."

Cabral está preso preventivamente desde novembro de 2016 e foi transferido em novembro para o Paraná por suspeitas de regalias no presídio no Rio.

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Paula Bianchi
UOL
Editado por Política na Rede
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