quinta-feira, 29 de março de 2018

Moro critica defesa de Lula: 'não cabe apresentar teses da espécie e esperar que sejam levadas a sério'


Imagem: Marcos Bezerra / Futura Press
O juiz Sérgio Moro criticou a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (28), ao responder sobre uma possível cooperação internacional de autoridades norte-americanas.

A manifestação do juiz foi na ação da Operação Lava Jato que investiga a compra de um terreno que, segundo denúncia, era para o Instituto Lula e de um apartamento em São Bernardo.

A defesa do ex-presidente afirmava ter conhecimento de manifestações públicas de autoridades norte-americanas sobre a cooperação jurídica com a Lava Jato, fazendo referência a "construção de casos" ou "colaboração fora dos procedimentos oficiais".

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A defesa também disse que foi impedida de perguntar a testemunhas sobre essas colaborações, e pediu que o MPF preste esclarecimentos.

Moro, então, respondeu que eventuais cooperações com autoridades estrangeiras não precisam da formalização de pedidos e não são ilegais, a não ser por "fantasiosa imaginação".

“ (...) autoridades podem conversar entre elas antes da formalização de um pedido de extradição ou da formalização de uma requisição para apresentação de provas. Normalmente isso é feito para obter esclarecimentos acerca dos requisitos exigidos para que tais pedidos sejam aceitos pelo País Requerido. Nada há nisso de ilegal, a não ser por fantasiosa imaginação”, disse o juiz.

Moro também afirmou que as afirmações eram fantasiosas e que poderiam ser usadas em palanques eleitorais, mas não no âmbito da Justiça.

"A fantasia de que a Operação Lava Jato ou de que as investigações contra o acusado Luiz Inácio Lula da Silva teriam sido influenciadas ou dirigidas por autoridades estrangeiras talvez possa ser utilizada, com grande irresponsabilidade, em palanques eleitorais, já que infelizmente há quem se iluda com teorias da conspiração. Não cabe, porém, a Defesa apresentar teses da espécie perante as Cortes de Justiça, inclusive distorcendo o sentido de expressões utilizadas por autoridades estrangeiras, e esperar que sejam levadas a sério", reclamou o magistrado.

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Fernando Castro e Erick Gimenes
G1
Editado por Política na Rede
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