segunda-feira, 26 de março de 2018

Padilha responde a reclamação de Dilma: 'se soubesse ler, não estaríamos com esse problema'


Imagem: Produção Ilustrativa / Política na Rede
Lançada na última sexta-feira (23), a nova série brasileira do Netflix "O Mecanismo" já está gerando bastante discussão e até a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) decidiu se pronunciar. O programa, que tem 8 episódios na primeira temporada, é uma obra de ficção baseada na Operação Lava Jato, mas segundo a petista é "mentirosa e dissimulada". 


Em nota divulgada no último domingo (25), Dilma afirma que o criador da série, José Padilha (diretor de Tropa de Elite) é um "criador de notícias falsas". Ela diz que "a propósito de contar a história da Lava Jato, numa série ‘baseada em fatos reais’, o cineasta José Padilha incorre na distorção da realidade e na propagação de mentiras de toda sorte para atacar” a ela mesma e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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"O Mecanismo" altera todos os nomes de personagens, empresas e instituições que fazem parte da história real. Por exemplo: Higino é o ex-presidente Lula, Janete é Dilma e a Petrobras se torna PetroBrasil na série. Apesar das mudanças, fica claro a quem ou o que se refere cada uma dessas mudanças. Por outro lado, no início de cada episódio é exibido um alerta de que esta é uma obras de ficção baseada em fatos reais.

Um dos principais pontos da reclamação de Dilma é o fato de uma frase sobre "estancar a sangria" (expressão usada para falar sobre barrar as investigações da Lava Jato) ter sido colocada na boca de Higino na série, sendo que na vida real quem teria dito isso foi o senador Romero Jucá (MDB-RR), um dos articuladores do impeachment de Dilma.

Padilha já se pronunciou e deixou claro que não dirigiu nem roteirizou especificamente o episódio em que a frase foi dita, embora tenha checado os diálogos. À Folha de S. Paulo, o produtor afirma que "Jucá não é dono dessa expressão" e que, portanto, roteiristas estão livres para usá-la. 

"'O Mecanismo' é uma obra-comentário. Na abertura de cada capítulo está escrito que os fatos estão dramatizados, se a Dilma soubesse ler, não estaríamos com esse problema", afirma o cineasta. Padilha diz que a série representa um problema sistêmico de corrupção, que não seria exclusivo do PT, mas de outros partidos e setores.

"Esse é um debate boboca, mas que revela algo: se a principal reclamação é o uso desta expressão, pode-se imaginar que o público petista está achando difícil negar todo o resto. Nada a dizer quanto aos roubos e desvios de verba públicas praticados por Higino e Tames com os empreiteiros…? Hummm… Interessante", disse ele em entrevista ao Observatório do Cinema.

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Rodrigo Tolotti Umpieres
Infomoney
Editado por Política na Rede
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