quinta-feira, 8 de março de 2018

'Só não vamos conversar com o PT', diz ACM Neto sobre alianças


Imagem: Pedro Ladeira / Folhapress
Novo presidente do DEM, ACM Neto, disse nesta quinta-feira (8) que vai procurar todos os partidos, com exceção do PT, para formar uma aliança para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), lançado nesta manhã pré-candidato à Presidência da República.

“Só não vamos conversar com o PT. É a única conversa que não vai acontecer”, disse ACM Neto ao chegar à convenção nacional do partido.

O PT foi um dos partidos que ajudaram Maia a se eleger presidente da Câmara em 2015 e 2017.

Prefeito de Salvador, ACM Neto, disse que já está dialogando com PP, PRB, PSC, PHS, PR e Solidariedade.

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Estiveram na convenção o vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força (SP), o líder do PR na Câmara, José Rocha (BA), e parlamentares como Evandro Gussi (PV-SP) e André Fufuca (PP-MA), além de parlamentares que se filiaram à sigla, como Laura Carneiro (RJ).

ACM Neto afirmou também estar conversando com o PSDB, que já lançou a pré-candidatura do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, à Presidência da República.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Maia apontou os tucanos como adversários.

“Participar de uma aliança com o PSDB para perder pode ser uma decisão política, mas, neste momento, em que a eleição está aberta, com a rejeição ao PSDB que inviabiliza seu candidato de vencer, não tentar construir outro projeto que represente um novo ciclo seria negligência política da nossa parte”, disse o presidente da Câmara.

Nesta manhã, ACM Neto foi na mesma linha, mas disse que estava aberto ao diálogo.

“Neste momento, não cogitamos, em absoluto, qualquer possibilidade de apoiar o PSDB. Mas o PSDB não é nosso adversário. Vamos deixar o diálogo aberto”, afirmou Neto, que até a próxima semana anunciará se vai disputar o governo da Bahia.

Tucanos compareceram ao evento de Maia: os deputados Marcus Pestana (MG), Jutahy Junior (BA) e o ex-ministro de Temer Antonio Imbassahy (BA). Além disso, o senador Agripino Maia (RN), que deixa a presidência do DEM depois de sete anos, afirmou ter recebido uma ligação do pré-candidato tucano, Geraldo Alckmin, que está em viagem aos EUA.

ACM Neto disse que pretende se inteirar já nesta quinta-feira do orçamento do partido para financiar a pré-campanha de Maia, que já deve começar a viajar pelo país na semana que vem.

A ideia dos aliados é que o pré-candidato viaje por todos os Estados nos próximos dois meses.

Ao chegar à convenção que lançará seu nome ao Palácio do Planalto, Maia afirmou que vai fazer campanha somente aos fins de semana e que a disputa eleitoral não vai atrapalhar seu trabalho como presidente da Câmara.

“Eu trabalho na Câmara de segunda a quinta-feira, minha agenda é na Câmara. No final de semana, vamos para a rua”.

O deputado repetiu o que será a principal linha de seu discurso nesse início de pré-campanha. Disse que sua ideia é construir um projeto de “mudança” no ciclo da política, com Estado mínimo e combate à burocracia.

Aliados do próprio Maia, porém, veem sua candidatura com ceticismo e avaliam que esta é uma maneira do deputado se cacifar para indicar um vice ao PSDB de Geraldo Alckmin.

PLANALTO

O DEM chamou-se PFL (Partido da Frente Liberal) até 2007.

O partido só teve candidato a presidente da República uma vez, em 1989, quando ainda se chamava PFL. O candidato foi o ex-ministro Aureliano Chaves.

Em 1994 e 1998, elegeu Marco Maciel vice-presidente de Fernando Henrique Cardoso.

MAIA

Nascido em Santiago, no Chile, Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia, 47, é deputado de quinto mandato, sempre pelo PFL/DEM.

É filho do ex-prefeito do Rio Cesar Maia com a chilena Mariangeles Ibarra Maia.
Pai de cinco filhos, é casado com Patrícia Maia, enteada de Moreira Franco, ministro da Secretaria-Geral.

Maia e o sogro têm uma relação marcada pela tensão política. Desde a votação da primeira denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara, Moreira se distanciou do genro em nome do projeto do presidente.

Nesta legislatura, ganhou projeção pelas mãos do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB-RJ), que deu a ele a relatoria da reforma política, em 2015.

Com ajuda do governo Temer, Maia chegou à presidência da Câmara pela primeira vez em outubro de 2016, substituindo Cunha, preso no âmbito da Operação Lava Jato.

Em 2017, foi reconduzido ao cargo, novamente com apoio do Palácio do Planalto.

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Daniel Carvalho , Marina Dias e Angela Boldrini
Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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