sábado, 28 de abril de 2018

Banqueiro diz à PF que recebeu dinheiro do PSDB em conta na Suíça em 2010


Imagem: Marcelo de Jesus / Agência O Globo
Ex-deputado federal apontado por delatores como operador do senador José Serra, o banqueiro Ronaldo Cezar Coelho afirmou à Polícia Federal que recebeu 6,5 milhões de euros entre 2009 e 2010 do PSDB numa conta na Suíça. Os pagamentos, segundo Coelho, eram referentes ao uso de aeronave de sua propriedade por membros da sigla e aliados.

As tratativas para o uso do avião, de acordo com ele, foram feitas com o então presidente da sigla, Sérgio Guerra, que morreu em 2014. Segundo ele, Guerra queria com as viagens arregimentar aliados para fortalecer a campanha do partido à Presidência em 2010, que teve como candidato José Serra.

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O presidente do PSDB, Geraldo Alckmin, e o senador José Serra foram procurados para comentar o depoimento de Ronaldo Cezar Coelho. A assessoria do senador informou que ele não vai falar sobre o caso; Alckmin ainda não respondeu.

Coelho relatou que pediu a Guerra para fazer os pagamentos diretamente à operadora de táxi aéreo Ocean Air. Mas o tucano teria afirmado que só poderia pagar os serviços no exterior. O depoente disse ainda que não sabia que os recursos tinham vindo da Odebrecht, uma vez que nos extratos apareciam diversas empresas e bancos. Coelho disse nunca ter tratado dos repasses com nenhum outro integrante do PSDB, além de Sérgio Guerra.

Os delatores da Odebrecht, por sua vez, afirmaram que em 2009 o então presidente do PSDB Sérgio Guerra teria pedido R$ 30 milhões para as campanhas majoritárias do partido em 2010, incluindo a campanha presidencial de Serra. Segundo detalharam os colaboradores, parte do repasse foi feita por meio de pagamentos no exterior, totalizando R$ 23 milhões e parte por meio da entrega de dinheiro vivo no Brasil. As entregas em espécie no País teriam sido acertadas com Márcio Fortes enquanto que os pagamentos no exterior teriam sido combinados com Ronaldo Cezar Coelho. De acordo com o ex-presidente da empreiteira, Pedro Novis, o próprio Serra, de quem foi vizinho em São Paulo, foi quem indicou os dois interlocutores para tratar dos repasses.

O banqueiro confirmou que conhece Márcio Fortes, arrecadador de recursos para campanhas de Serra, mas disse desconhecer qualquer pagamento recebido por ele a pedido de Sérgio Guerra. Coelho disse também que esteve no escritório de Pedro Novis, ex-presidente da Odebrecht, um dos executivos que o delataram, uma única vez, em meados de 2010. Segundo ele, na ocasião, trataram de assuntos relacionados ao patrimônio histórico da Santa Casa.

Em seu depoimento, Coelho admitiu que só declarou a existência de sua conta no exterior em 2016, ano em que a Odebrecht anunciou que iria colaborar com a Lava-Jato e que o governo federal deu início ao programa de repatriação de dinheiro no exterior. O ex-deputado também contou aos investigadores que repatriou R$ 23,8 milhões ao Brasil em 2016. O dinheiro recebido na Suíça, segundo ele, era de comissões e investimentos realizados. Ele apresentou os comprovantes referentes à legalização dos recursos.

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De acordo com os colaboradores da Odebrecht, o acerto com Sérgio Guerra ocorreu em troca de o governo de São Paulo, administrado pelo PSDB, ter pago a uma das empresas do grupo Odebrecht R$ 191,6 milhões que haviam ficado pendentes de obra na rodovia Governador Carvalho Pinto. A liberação dos recursos vinha se arrastando em um processo judicial entre o grupo empresarial e o Estado de São Paulo e, segundo os delatores, a situação só foi resolvida depois que foram feitos os repasses dos valores para a campanha de Serra.

A transferência no exterior foi realizada por meio Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, também conhecido como departamento da propina, que cuidava das contabilidade paralela da empreiteira para pagar propinas a políticos por meio de uma extensa rede de doleiros e operadores financeiros no Brasil e no exterior.

Desde que o caso veio à tona, o senador José Serra vem negando as irregularidades. O depoimento de Ronaldo Cezar Coelho foi encaminhado ao STF pela própria defesa do banqueiro, que alega que os crimes atribuídos a ele já teriam prescrito e pede que as investigações contra ele devem ser extintas. Além disso, a defesa alega que as contas de Ronaldo Cezar Coelho no exterior seguem bloqueadas pelas autoridades suíças a pedido do Ministério Público Federal, o que estaria causando problemas a Coelho, e por isso os defensores do ex-deputado pedem que o MPF solicite o desbloqueio das contas. O caso está sob análise do ministro Gilmar Mendes.

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Mateus Coutinho e Renata Mariz
O Globo
Editado por Política na Rede
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